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Jamil Chade

Sob ataque, OMS mantém apoio às Olimpíadas

Mulher usando máscara contra covid-19 passa em frente aos anéis olímpicos em Tóquio, no Japão - Takashi Aoyama/Getty Images
Mulher usando máscara contra covid-19 passa em frente aos anéis olímpicos em Tóquio, no Japão Imagem: Takashi Aoyama/Getty Images
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

30/07/2021 13h16

A OMS (Organização Mundial da Saúde) manteve seu apoio aos Jogos Olímpicos, apesar das duras críticas que vem sofrendo e diante do aumento inédito no número de casos da covid-19 registrado no Japão nos últimos dias.

Tóquio identificou mais de 3,3 mil casos nas últimas 24 horas, depois de atingir um recorde de 3,7 mil casos na quinta-feira. Essa foi a primeira vez que a marca de 3 mil novos contaminados foi registrada na capital. No país, são mais de 10 mil novos casos por dia, levando o governo a ampliar o estado de emergência e apelar à população para que assista aos Jogos pela televisão, em suas casas.

Antes do evento, 80% dos japoneses indicaram que eram contrários aos Jogos e protestos chegaram a ocorrer.

Apesar disso, a OMS afirmou nesta sexta-feira que as autoridades locais e o COI adotaram "medidas amplas e monitoramento" para o evento, incluindo testes regulares. Para Mike Ryan, diretor de operações da agência, a Olimpíada é "parte do contexto" e "não é o motor" do avanço do surto.

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, ainda foi alvo de críticas por ter participado da abertura dos Jogos e ter feito um discurso interpretado como uma chancela ao evento. Agora, ele insiste que sua mensagem era para que o mundo "atuasse junto" para derrotar a pandemia.

Para ele, as imagens dos Jogos servirão para lembrar ao mundo no futuro sobre o que a humanidade atravessou nestes anos de 2020 e 2021. Tedros ainda citou como o evento revela a determinação do mundo em lutar contra um vírus que "sequestrou" o planeta.

"Precisamos usar o espírito de unidade da Olimpíada para acabar com a pandemia", disse. Segundo ele, sua intenção foi ainda a de usar o palco de Tóquio para alertar sobre a desigualdade no acesso à vacina, hoje concentrada nas mãos de apenas 10 países do mundo. "É errado ir para fazer esse alerta?", rebateu.

Apesar de não implicar o evento em Tóquio ao aumento de casos, Tedros admitiu que "não existe risco zero". "O COI e o Japão fizeram tudo para minimizar o risco. Fizeram o seu melhor", disse, lembrando que ele mesmo passou por "testes rigorosos" para entrar no país.