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Jamil Chade

OMS: adolescentes podem tomar vacina, mas não são prioridade

O presidente Jair Bolsonaro, o ministro Marcelo Queiroga e o intérprete de libras Fabiano Guimarães durante transmissão ao vivo - Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro, o ministro Marcelo Queiroga e o intérprete de libras Fabiano Guimarães durante transmissão ao vivo Imagem: Reprodução
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

17/09/2021 06h31

Resumo da notícia

  • Declarações da OMS, nesta sexta-feira, contradizem fala de Jair Bolsonaro em sua live
  • Recomendação da OMS tem como base a vacina da Pfizer

A OMS (Organização Mundial da Saúde) deixou claro que adolescentes podem ser vacinados com o imunizante da Pfizer, mas aponta que esse grupo da população não deve ser considerado como prioridade, justamente para que doses possam existir em quantidades suficientes para lidar com parcelas da sociedade que sejam consideradas mais vulneráveis ao covid-19.

A declaração contradiz o anúncio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em sua live nesta semana, ele afirmou que "a OMS é contra a vacinação entre 12 e 17 anos."

Nesta sexta-feira, em Genebra, a explicação da OMS foi outra. Segundo a entidade, os dados apontam que as vacinas da Pfizer são seguras e eficientes para a faixa compreendida entre 12 e 15 anos.

"Nossa recomendação é que a vacina pode ser usada na faixa de idade a partir de doze anos", diz Margaret Harris, porta-voz da agência de Saúde. Harris admite que a OMS apenas foi abastecida com dados para essa faixa de idade por parte da Pfizer. Ela também indicou que a vacinação de adolescente é de "baixa prioridade".

Segundo ela, porém, adolescentes com situações severas de saúde devem ser considerados no mesmo patamar de prioridade que adultos ao se considerar a vacinação. "São as condições que fazem com que uma pessoa possa ter doença mais severa e se recomenda que eles sejam vacinados no mesmo nível de prioridade que adultos", esclareceu.

Num comunicado de julho de 2021, a entidade voltou a reforçar o mesmo ponto. "Crianças e adolescentes têm a tendência de apresentar casos mais leves em comparação a adultos, então a não ser que sejam parte de um grupo de risco da covid-19, é menos urgente vaciná-los que pessoas mais velhas", indicou.

Onde existe a necessidade de que haja maior investigação é na vacinação de crianças. Para a entidade, ainda não existem evidências suficientes para que se faça uma recomendação pela vacinação às pessoas abaixo de doze anos de idade.