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Jamil Chade

Investimento se recupera no Brasil, mas país é só 9º maior destino no mundo

Paulo Guedes, ministro da Economia - Adriano Machado/Reuters
Paulo Guedes, ministro da Economia Imagem: Adriano Machado/Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

19/10/2021 07h36

Resumo da notícia

  • Economia brasileira chegou a ser quarto maior destino de investimentos estrangeiros

O fluxo de investimentos diretos no mundo e no Brasil volta a se recuperar no primeiro semestre de 2021, depois de um colapso inédito em 2020 por conta da pandemia da covid-19.

Dados divulgados nesta terça-feira pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) revelam um total de US$ 825 bilhões nos seis primeiros meses do ano, um aumento de 78% em comparação às taxas do ano passado.

No caso do Brasil, os dados apontam que o país viu uma retomada dos investimentos. Em 2019, a economia nacional havia recebido cerca de 69 bilhões de dólares em investimentos. Em 2020, a taxa caiu para apenas US$ 25 bilhões. Mas, segundo a ONU, esse volume voltou a subir para US$ 45 bilhões nos seis primeiros meses do ano de 2021, uma recuperação de cerca de 80%.

Grande parte do fluxo vem de multinacionais já instaladas no Brasil e que estão reinvestindo o dinheiro. Não há praticamente nenhuma nova aquisição, com valores de apenas US$ 1,1 bilhão. Mas anúncios de novos investimentos para o futuro ficaram em cerca de US$ 24 bilhões.

Diante dos números, o Brasil aparece na nona posição entre os maiores destinos de investimentos, ao lado da Alemanha. A liderança é dos EUA, seguido pela UE e China. A lista ainda conta com Cingapura, Hong Kong, Reino Unido, Canadá e Índia, com fluxos acima do volume recebido pelo Brasil.

Em anos anteriores, o país já foi o quinto e quarto lugar entre os destinos de investimentos.

Neste ano, os grandes beneficiados foram os países ricos que, com seus amplos pacotes de resgate, permitiram registrar um fluxo de US$ 424 bilhões e alta de mais de 117%. Na Europa, a taxa ficou apenas 5% abaixo do patamar que existia antes da crise sanitária, enquanto nos EUA o aumento foi de 90%.

Nos mercados de renda média, o aumento foi bem menor, de apenas 30%, contra uma queda de 9% nos países mais pobres.

Na América Latina, a taxa de aumento foi de 78%, com um total de investimentos de US$ 76 bilhões.

Projetos internacionais de financiamento aumentaram em 32% em números e 74% em valores, com elevações importantes na Ásia e América do Sul. Mas a abertura de novas empresas e fábricas pelo mundo continua a sofrer uma contração, com queda de 11% nos valores nos três primeiros trimestres.