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Jamil Chade

Russos exigiram confinamento de Bolsonaro até encontro com Putin

Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

15/02/2022 11h23Atualizada em 15/02/2022 15h38

Por conta das rígidas regras sanitárias no Kremlin, o protocolo russo exigiu que o presidente Jair Bolsonaro (PL) permanecesse confinado em seu hotel, em Moscou, até que ocorresse a reunião com o presidente Vladimir Putin amanhã. O brasileiro, porém, deixou o hotel para um passeio.

Bolsonaro desembarcou com uma máscara nesta terça-feira, numa viagem marcada por polêmicas e considerada mesmo dentro do Itamaraty como uma missão de "alto risco". Desde cedo, o Itamaraty tenta contornar a regra para garantir que o presidente pudesse sair.

Nos últimos dias, a exigência dos russos causou comoção no Executivo brasileiro, que mobilizou diplomatas para tentar reverter a obrigação de manter Bolsonaro fechado até amanhã. Apesar dos apelos, a comitiva brasileira já havia indicado que ele pretendia sair pela capital ainda hoje.

Segundo o site Metrópoles, Bolsonaro deixou o hotel por volta das 18h30 (12h30 no horário de Brasília) para um passeio. O destino não foi informado.

As exigências dos russos deixaram o Planalto irritado, inclusive questionando se outros líderes teriam tido o mesmo tratamento. Uma das preocupações da ala mais radical no Executivo brasileiro era de que a imposição fosse usada no Brasil para evidenciar o fato de que Bolsonaro cumpre regras sanitárias no exterior, mas não no país.

A negociação, portanto, chegou a um acordo: Bolsonaro sairia, mas apenas ao Kremlin, justamente o local onde ocorrerá a reunião de quarta-feira com Putin. Assim, ele continuaria dentro da "bolha" estabelecida pelos russos.

Em todas suas viagens ao exterior, o presidente usou parte de sua agenda para passear pelas cidades que visitou, além de fazer um material de promoção para sua base mais radical.

O fato, segundo membros do Itamaraty, é que as exigências também acabaram levando a uma redução da equipe que acompanharia o presidente.

Para o encontro com Putin, as regras são estritas. Nem mesmo o chanceler Carlos França poderá entrar e Bolsonaro estará acompanhado apenas por um intérprete. No Itamaraty, o temor é de que, sem um profissional ao seu lado, Bolsonaro cometa algum deslize diplomático ou aceite condições e propostas que poderiam representar dificuldades para o Brasil.

Bolsonaro teve de realizar ainda um teste de covid-19 no avião. Um outro teste terá de ser realizado entre hoje e amanhã.

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