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ONU: 2 milhões de ucranianos deixaram suas casas em uma semana de guerra

Refugiados chegam a Polônia fugindo da invasão russa - Reuters
Refugiados chegam a Polônia fugindo da invasão russa Imagem: Reuters
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

03/03/2022 08h55

Em apenas uma semana de guerra, 2 milhões de ucranianos foram obrigados a deixar suas casas e fugir. Os dados foram apresentados na manhã desta quinta-feira pela ONU, durante a abertura de uma reunião de emergência convocada pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

O objetivo do encontro é o de votar a proposta da Ucrânia de criar uma comissão de inquérito para investigar os crimes cometidos pelos russos.

Ao abrir o debate, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, alertou que "o ataque militar da Federação Russa à Ucrânia abriu um novo e perigoso capítulo na história mundial" e, citando o secretário-geral, Antônio Guterres, chamou esta situação como sendo "a mais grave crise global de paz e segurança dos últimos anos".

"Mais de dois milhões de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas, um milhão ainda dentro da Ucrânia. Mais 1.040.000 refugiados procuraram segurança nos países vizinhos nos últimos sete dias", disse Bachelet, lembrando que muitas viajam por dias de bicicleta ou a pé, em condições de congelamento. Segundo ela, até quatro milhões de pessoas poderiam deixar o país nas próximas semanas se o conflito continuar.

A chilena ainda fez um alerta sobre os casos de racismo diante de alguns dos refugiados. Segundo ela, a ONU agradece os países europeus por receber os ucranianos. Mas ela alerta que nem todos estão tendo as mesmas facilidades. "Esta recepção deve ser estendida a todos aqueles que fogem do conflito, independentemente de sua cidadania, etnia, migração ou outro status. Tem havido indícios preocupantes de discriminação contra cidadãos africanos e asiáticos durante a fuga, e o Escritório estará atento a esta situação", disse.

Mortos e feridos

A ONU também apresentou os novos números de vítimas confirmadas. "O ataque que começou em 24 de fevereiro está gerando um impacto maciço sobre os direitos humanos de milhões de pessoas em toda a Ucrânia", disse Bachelet. "Os elevados níveis de ameaça às armas nucleares sublinham a gravidade dos riscos para toda a humanidade", declarou.

Segundo ela, as operações militares estão aumentando ainda mais neste momento, com ataques militares em grandes cidades, incluindo Chernihiv, Kharkiv, Kherson, Lysychansk, Sievierodonetsk, Sumy, Mariupol e Zhytomyr, e a capital, Kyiv. "A cidade de Volnovakha, na região de Donetsk, foi quase completamente destruída por bombardeios, e seus residentes remanescentes têm se escondido em porões", disse.

Até terça-feira à noite, a ONU indica que havia registrado e confirmado 752 vítimas civis, incluindo 227 mortos - 15 deles crianças. Pelo menos 525 pessoas foram feridas, incluindo 28 crianças.

65 mortos e 258 feridos foram registrados nas regiões de Donetsk e Luhansk. 429 vítimas (162 mortos e 267 feridos) foram registrados em outras regiões da Ucrânia.

"Devo enfatizar que os números reais serão muito mais altos, já que muitas outras baixas estão pendentes de confirmação, e as informações de algumas áreas envolvidas em hostilidades intensas têm sido adiadas", disse. Um membro da Unidade de Monitoramento da OSCE na Ucrânia foi morto em Kharkiv enquanto recebia suprimentos para sua família.

"A maioria das baixas civis foi causadas pelo uso de artilharia pesada, sistemas de foguete e ataques aéreos em áreas povoadas, com relatos de uso de munições de fragmentação que atingiram alvos civis", alertou Bachelet. "Foram infligidos danos maciços a edifícios residenciais. O uso de armas com efeitos de área ampla em áreas urbanas densamente povoadas é inerentemente indiscriminado, e eu apelo para a imediata cessação de tal força", apelou.

Bachelet ainda denunciou um número significativo de ataques a alvos civis, incluindo um hospital, escolas e jardins de infância. "A infraestrutura essencial foi fortemente danificada - cortando suprimentos e serviços críticos, incluindo eletricidade, água e acesso à saúde", disse a chilena. Em 26 de fevereiro, as tropas russas perto de Kherson teriam disparado em uma ambulância que transportava vítimas gravemente feridas; o motorista foi morto e um paramédico foi ferido.

Perseguição

Segundo a ONU, dezenas de milhões de pessoas permanecem no país, em perigo potencial de morte. "Estou profundamente preocupada que a atual escalada das operações militares aumente ainda mais os danos que elas enfrentam. Milhares de pessoas, incluindo idosos, mulheres grávidas, assim como crianças e pessoas com deficiências, estão sendo forçadas a se reunir em abrigos subterrâneos e estações de metrô para escapar de explosões. Muitas pessoas em situação de vulnerabilidade são separadas das famílias e efetivamente aprisionadas", disse Bachelet.

Ela ainda destaca como grupos temem perseguição se as tropas russas avançarem, incluindo membros da comunidade Tatar da Crimeia na Ucrânia continental, assim como proeminentes defensores dos direitos humanos e jornalistas.

Num apelo, ela insistiu que os estados devem respeitar o direito internacional e os princípios fundamentais que mantêm a vida humana, e a dignidade humana, intactos. Ela também pediu que o "pleno acesso para a entrega de assistência humanitária a civis em todo o país", além de proteção aos civis.