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Omitindo invasão russa, Bolsonaro diz no Brics que contexto "preocupa"

Da esquerda para a direita, os líderes de China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul em reunião dos Brics em 2019 - Alan Santos/PR
Da esquerda para a direita, os líderes de China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul em reunião dos Brics em 2019 Imagem: Alan Santos/PR
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

22/06/2022 08h44

Sem fazer referências à guerra na Ucrânia e sem citar sequer a invasão russa, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira em um evento do Brics que o país está preocupado com o "contexto internacional" e seu impacto sobre os fluxos de comércio, abastecimento e investimentos.

O brasileiro, porém, manteve seu malabarismo diplomático e evitou criticar os países ocidentais, alvo de questionamentos e ataques por parte da China e Rússia.

O discurso ocorreu no Business Fórum do Brics, por meio de um vídeo pré-gravado. O evento serve de preparação para a cúpula do grupo, agendada para quinta-feira. Pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin estará ao lado dos demais líderes do bloco, ainda que o evento seja virtual. Para diplomatas, a mera presença do chefe do Kremlin em um evento internacional já é considerada como uma mensagem política forte de que não está isolado.

O presidente da China, Xi Jinping, como anfitrião, pediu que haja um esforço para buscar a paz. Mas, conforme o UOL antecipou na terça-feira, não houve um acordo entre os cinco países do bloco para emitir uma declaração de apoio a Putin.

Xi ainda mandou recados para as potências ocidentais. "A história mostra que a hegemonia, grupos políticos e confrontação de blocos não trazem nem paz e nem estabilidade. Mas guerra e conflito", disse.

Já Bolsonaro optou por evitar os temas políticos e se encontrar em sua mensagem econômica.

"O atual contexto internacional é motivo de preocupação em razão dos riscos aos fluxos de comércio e investimentos e a estabilidade das cadeias de abastecimento de energia e alimentos", disse.

"A resposta do Brasil a esses desafios não é de se fechar ao resto do mundo. Pelo contrário. Temos procurado aprofundar nossa integração econômica", afirmou. Segundo ele, é uma "satisfação" compartilhar o mesmo espírito de cooperação com o restante dos membros do bloco.

Bolsonaro ainda focou seu discurso nos aspectos positivos de uma aproximação entre empresários dos países do Brics e insistiu que seu objetivo é "melhorar a inserção do Brasil nos fluxos internacionais de comércio e investimento".

Ele também usou a participação para vender sua agenda econômica, indicando que tomou medidas para tornar o marco regulatório mais seguro e transparente. Bolsonaro ainda citou medidas de liberdade econômica e reforma da Previdência. "Uma das metas de governo tem sido ampliar a participação do setor privado na economia, promover investimentos em infraestrutura", disse.

Bolsonaro também destacou o Banco do Brics como um instrumento para "contribuir para o crescimento de nossas economias" e aposta que a abertura do escritório da instituição no Brasil permitirá sua ampliação de atuação no País.

OCDE e Brics

Ao explicar aos empresários que o Brasil quer se consolidar como "pólo seguro e estável para investimentos", Bolsonaro indicou que o "processo de ingresso na OCDE vai ser mais um passo neste sentido". Segundo ele, o Brasil quer participar de forma construtiva na definição dos rumos da economia global.

Já Xi, aliado declarado de Putin, criticou abertamente as potências ocidentais. "A crise ucraniana soou o alerta para a humanidade", disse. "Países vão certamente ter problemas de segurança se colocarem uma fé cega em suas posições de força e expandir alianças militares. E buscar sua segurança às custas de outros", afirmou o chinês, numa referência à ampliação da OTAN ao Leste Europeu.