Jamil Chade

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Discriminação racial no Brasil persiste, alerta ONU


Apesar da troca de governo no Brasil e da implementação de políticas para combater o racismo, a ONU afirma que a discriminação persiste no país. O alerta foi emitido nesta terça-feira, quando o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Turk, apresentou seu informe anual da situação internacional.

Além das crises em Gaza, Ucrânia, Sudão e tantas outras partes do planeta, Turk destacou os desafios do racismo. O Brasil havia ficado de fora de seu informe, apresentado em março deste ano. Mas, na atualização do contexto mundial, Turk voltou a alertar sobre a situação brasileira.

"Embora países como o Brasil, a Colômbia e os Estados Unidos da América estejam tomando medidas importantes para lidar com a discriminação racial, os problemas persistem", disse o comissário ao abrir o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

"O perfil racial, o alto índice de desemprego, a super-representação e o tratamento diferenciado na detenção, o maior número de casos de uso excessivo de força letal pelas forças policiais, as taxas desproporcionais de mortalidade materna, as desigualdades de saúde e moradia e a insegurança alimentar persistem nesses e em muitos outros países do mundo", alertou.

Ele também denunciou o fato de que, em países da União Europeia, a Agência de Direitos Fundamentais da UE também relatou que a discriminação, o assédio, a violência e o perfil racial continuam a ser características rotineiras da vida dos negros.

Em seu apelo, Turk convocou os governos a buscar "uma mudança transformadora em prol da justiça e da igualdade racial", além de promover a justiça e a igualdade racial na aplicação da lei.

A ONU ainda pediu que os governos se comprometam com os objetivos da Segunda Década Internacional para Povos Afrodescendentes, a partir de 2025. O objetivo é o de "reverter a cultura da negação, desmantelar o racismo sistêmico em todas as áreas da vida e fazer justiça reparadora pelos erros do passado".

Críticas contra Argentina

Turk ainda usou seu discurso para criticar as políticas adotadas pelo governo de Javier Milei, na Argentina.

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"As recentes medidas propostas e adotadas correm o risco de prejudicar a proteção dos direitos humanos", disse.

"Isso inclui cortes nos gastos públicos que afetam particularmente os mais marginalizados, o fechamento anunciado de instituições estatais dedicadas aos direitos das mulheres e ao acesso à justiça e uma instrução do Ministério das Relações Exteriores para suspender a participação em todos os eventos no exterior relacionados à Agenda 2030", afirmou.

"Peço às autoridades que coloquem os direitos humanos no centro de suas políticas, para construir uma sociedade mais coesa e inclusiva. Isso também significa respeito total ao direito de reunião pacífica e à liberdade de expressão", completou.

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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