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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lula, Bolsonaro,Moro,PSDB: nenhuma via

Imagem com vários pontos de interrogação - Imagem: Freepik
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

25/11/2021 04h00

No período recente, Moro apareceu, Lula pisou feio na bola, Bolsonaro fez mais do mesmo (ruim) e o PSDB conseguiu um desastre histórico, todos, sem exceção não ofereceram um caminho estimulante de como encaminhar objetivamente o combate à desigualdade, nem à dicotomia estabilidade fiscal x gastos com programas sociais.

No fundo, aqueles que estariam mais próximos de poder governar o país, não oferecem a devida base para o otimismo que precisamos. Por enquanto, esta é a triste verdade.

1- LULA: - O PT e Lula devem sim, a princípio, uma autocrítica e uma solicitação de desculpas pelo que houve de errado, e não foi pouco. Fugir disso, aproveitando o momento favorável que o STF criou considerando Moro parcial, não é legal. Nem saudável. Moro ter sido parcial não significa isenção dos problemas em tela.

E o tiro no estômago que Lula deu com as declarações sobre Daniel Ortega e Nicarágua, precisam de mais detalhamento.

A considerar: incrível o silêncio ensurdecedor daqueles que criticam (e corretamente) a Bolsonaro pela falta de apego à democracia, não falarem nada sobre a entrevista de Lula, e as declarações anteriores sobre Cuba, onde já se colocou na prisão o público LBGTQIA+ e Venezuela, onde não há democracia.

Esse público que se horrorizou na dita polarização Bolsonaro x Lula, dizendo que Lula se diferenciava por ser um democrata, não fez qualquer observação sobre a declaração desastrada de Lula. E não é a primeira nesse tipo de caso. Guilherme Boulos fugiu da responsabilidade de comentar, quando tinha, por obrigação moral de um líder ascendente, que tomar uma posição: ou concordava ou discordava da declaração. Caiu fora. Preocupou-se com o Touro Dourado e não com com a declaração procurando um subterfúgio para não criticar Lula. Ausência de coragem. Este tipo de comportamento ajuda a Bolsonaro. E é preciso ver porque essas pessoas, que o combatem tanto oferecem a ele, de mãos beijadas, tantos elementos para que ele leve vantagem junto ao público, que está entre os dois. É esquisito, trabalham contra si mesmo, provavelmente tocados pela pretensão de estarem acima do bem e do mal. Fosse a Nicarágua de direita, e tivesse Bolsonaro elogiado Ortega, o mundo viria abaixo junto a tal público, como um elogio insano, com Lula passou ao largo. Dois pesos, duas medidas. Não ajuda a trazer eleitores para Lula, ao contrário.

Lula cometeu um erro considerável e que não pode passar em branco. Pior, porque não parece um simples deslize, pois houve nota anterior, depois dita que não passou pela direção. Qual foi a sanção ao responsável? O PT acha que as pessoas não percebem. Menoscaba a inteligência alheia.

2- MORO: - Veio com o discurso doce e politicamente correto de que é possível dar Auxílio Brasil e não furar o Teto de Gastos. Quis agradar aos carentes e ao mercado financeiro, acendeu uma vela para cada santo, embora eles frequentem igrejas diferentes. Até agora, não disse como a tal Força Tarefa contra a Desigualdade vai funcionar, supondo que a criação de um órgão em si basta, mostra o cuidado dele e resolve o problema, na linha "deixa comigo que eu sou do bem", igual a Ciro, que está cada vez mais visto nas pesquisas como alguém que acha que a solução do país é dar a bola para ele, que Ciro fará todos os gols. Um ego desmedido, que as pessoas detectam, e não gostam. E ele, com toda a sapiência, ainda não percebeu. Passa mais por pretensioso do que por capaz.

Moro que vai tirar mais votos de Ciro, pois não tem esse perfil pretensioso, peca por não ter se preparado e ficar na superficialidade e não tocar no assunto do Telegram, se falou ou não, o que veio a público. Essa coragem ainda não emergiu. Porque é preciso saber se ele acha que pode atuar por vias tortas para alcançar o caminho correto. Silêncio na imprensa que o entrevista e nos parlamentares que o apoiam.

3- BOLSONARO: Mais do mesmo, falando impropriedades e sustentando absurdos, pensando que estamos ainda em 2018, e se aproveitando dos escorregões de Lula para reviver o antilulismo que o elegeu.

Ledo engano. Não consegue após tanto tempo de governo trazer alguma solução grandiosa e consistente para os problemas que ele diz ter a esquerda criado. E desmoraliza os princípios que defendeu, sem ter conteúdo algum.

4- O PSDB logrou um desastre inimaginável, que retirará a autoridade de qualquer candidato que escolha. Se escolher. E colaborou para a erosão da terceira via, como ideia por um lado, reforçando o que o cenário mais provável seja Lula x Bolsonaro, exatamente o contrário do propósito que defende. Uma colaboração com os adversários. Um partido que combate Bolsonaro e a maioria da bancada vota com ele, numa esquizofrenia política nunca vista. Aécio comanda a bancada ou não ? O PSDB não consegue responder.

O que todos fizeram é acenar para o eleitorado, que precisa de esperança e teme o que vem pela frente, foi propiciar via nenhuma. Aumentaram a descrença, ajudaram a elevar o nível de tensão, pois se a sociedade não enxerga uma solução, a reação é de medo e e a violência faz parte desse medo.

Tristes Trópicos. Do Paraíso na Terra, almejado e vaticinado pelos navegantes que se propunham a atravessar o oceano, nos transformamos num inferno, que perde sua credibilidade e coesão.

Não temos estadistas, mas pelo menos eles poderiam tentar passar om média 5.

Tem muito ego na praça, e pouca consciência pública. Nenhuma via como esperança, pelo menos, por ora.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL