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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Os equívocos de Lula que atrapalham o "semáforo" de Alckmin

27.out.2006 - Geraldo Alckmin (PSDB) e Lula (PT) em debate na disputa do segundo turno da eleição presidencial de 2006 - 27.out.2006 - Tuca Vieira/Folhapress
27.out.2006 - Geraldo Alckmin (PSDB) e Lula (PT) em debate na disputa do segundo turno da eleição presidencial de 2006 Imagem: 27.out.2006 - Tuca Vieira/Folhapress
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

01/12/2021 09h01

Alckmin almeja com vigor cuidar diretamente de temas e desafios nacionais. Isso o desloca na direção de formar chapa com Lula.

Alckmin tem uma base de apoio no Interior de São Paulo, fruto de anos de convivência conservadora e que se defrontou por anos com o PT e não cansou de apontar os erros do adversário. Isso e uma eleição bastante provável obstaculizam a formação de tal chapa.

Há dez condutas de Lula, dez fatores que circulam na base de Alckmin e atrapalham o matrimônio Lula-Alckmin. Muitos ligados à dissimulação, que sugerem que Lula pode fazer qualquer coisa para se manter no poder.

1- Dizer que não pensaria em candidatura em 2021, na sua volta "triunfal", depois de liberado pelo STF. Alegou que a covid era a prioridade, não fez um ato concreto com relação a ela, a não ser críticas, e só se dedicou à candidatura negada.

2- Dizer, como recentemente, que ainda não é candidato, vai decidir sobre o assunto, simultaneamente a afirmar que quer montar chapa para ganhar eleição e estender o tapete para Alckmin. Reforçando a dissimulação.

3- A fatídica e inexplicável declaração sobre a Nicarágua e Ortega, comparando à Alemanha e Merkel. Revelando um desconhecimento internacional inaceitável para um ex-presidente.

4- Além da Nicarágua, junte-se às declarações de Cuba poderia ser uma Holanda, se não fosse o embargo americano e o apoio renitente do PT à Venezuela.

5- Afirmar que o PT não precisa de autocrítica e não realizá-la depois de tantos eventos ruins, reconhecidos até por aliados do partido.

6- Procurar e se aliar a pessoas que trabalharam na deposição de Dilma, que foi considerada "um golpe", e engajá-los na campanha, como antigos líderes do PMDB no Nordeste. Sem a menor cerimônia, num vale-tudo pelo Poder.

7- Basear-se só no ataque a Bolsonaro como discurso e apontar erros do governo e não oferecer um novo Plano de Desenvolvimento para o Brasil. E rediscutir vícios e virtudes de um PAC 3. Que teve problemas de inexecução, apesar de avanços.

8- Não explicar por que, quando no Poder, não taxou dividendos e eliminou ou aumentou taxação dos Juros Sobre Capital Próprio que o PT demanda há tempos. E não realizou taxação sobre heranças e grandes fortunas, utilizada em discurso como forma de financiamento de parte dos programas sociais.

9- Não assumir responsabilidade pela indicação de Dilma, e depois de questionado por muitas lideranças tradicionais do PT, manter Dilma para o segundo mandato, quando os problemas se aceleraram e levaram ao impeachment.

10- Não justificar a indicação que fez de Luiz Carlos Trabuco para ministério da Fazenda, e depois avalizar a indicação de Trabuco a Joaquim Levy que deu um cavalo de pau na política econômica do PT e no discurso de Dilma na campanha contra o corte de gastos, e que provocou recessão, que catalisou a deposição de Dilma. Lula não se responsabiliza, nem comenta.

Pelos adversários Lula é visto como um Macunaíma, que faz qualquer coisa para estar no Poder, para os aliados é um campeão nas composições, até é erigido como "maior do que Getúlio Vargas".

Ocorre que para os aliados de Alckmin no Interior, Lula está mais para a primeira visão. Não será fácil convencê-los de que o Brasil precisa de alianças radicais, com antípodas, para se reconstruir, como na coalizão semáforo do governo alemão de Olaf Scholz.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL