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José Luiz Portella

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Reitor eleito vai cuidar de estabilidade orçamentária da USP

Reitoria da USP - Marcos Santos/USP Imagens
Reitoria da USP Imagem: Marcos Santos/USP Imagens
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

02/12/2021 15h26

O Reitor eleito da USP, professor doutor Carlos G. Carlotti, neurocirurgião, que venceu com sua chapa USP Viva tanto a consulta à comunidade da USP, como a eleição no Colégio Eleitoral por 1156 x 798 concede entrevista exclusiva a UOL para dizer, que diferentemente de boatos que estão sendo veiculados como fake news.

Ele vai cuidar da estabilidade orçamentária e não realizará nenhum aumento fora da realidade, respeitará as diretrizes orçamentárias aprovadas e fez uma campanha sem se comprometer com índices de ajustes e sim com valorização dos docentes e funcionários. Segue entrevista exclusiva:

- Quais as principais propostas para a sua eventual gestão à frente da Reitoria da USP?
Como sabemos, a USP é a mais distinguida Universidade da América Latina e principal referência científica entre as suas congêneres. Por essa razão, a gestão de uma Universidade dessa importância implica reconhecer a complexidade da instituição, a exigir medidas seletivas e objetivas. Na área do ensino, impõe-se preparar os nossos alunos para uma sociedade inserida no mundo globalizado, em rápido processo de transformação, precipuamente nas atividades profissionais que exigem formação multidisciplinar e capacidade de adaptação às novas realidades, para que os nossos alunos possam introjetar a necessidade de aprendizado contínuo. Nesse sentido, o processo de formação transformou os estudantes em agentes envolvidos na própria aquisição do conhecimento. No mundo contemporâneo, as universidades tornaram-se organismos importantes no acolhimento da diversidade social, de gênero, étnico-raciais, entre outros. Ampliou-se, em suma, o papel civilizatório das universidades, mesmo porque a educação é um instrumento poderoso para dirimir as desigualdades sociais, especialmente em países como o Brasil. Cabe perguntar como manter padrões de excelência, tendo, ao mesmo tempo, que incorporar socialmente esses novos estudantes? Esse é um dos principais desafios das universidades. Todavia, a produção do conhecimento, da ciência e da cultura não pode estar desconectada da realidade, sobretudo deve ter como objetivo central a construção do bem-estar social. Sob esse prisma, não existe oposição entre excelência e diversidade; contrariamente, a diversidade emula a criação do conhecimento.

- Nesses termos, qual será a natureza da relação que terá que se estabelecer entre a universidade e a sociedade?
A Universidade é uma instituição da sociedade, por essa razão, a dinâmica da sociedade nela impacta diretamente. Os novos papéis atribuídos às universidades exigem repactuar as relações universidade-sociedade. A consciência desse problema não é exclusiva da USP; contrariamente, tem preocupado as mais prestigiosas instituições mundiais. A título de exemplo, a Universidade deve ser parceira na elaboração de políticas públicas, fortalecendo as relações com a sociedade e a aplicação do conhecimento que produz. Os problemas sociais agudizaram-se com a pandemia e a Universidade não pode estar ausente diante dessa crise imensa. Para além disso, é necessário incrementar a aproximação com os organismos públicos, como o Governo do Estado, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, as Prefeituras, desenvolvendo parcerias em áreas decisivas, como a da saúde, da educação, da sustentabilidade, da política urbana e de saneamento, dentre tantas outras necessidades ingentes. A USP não vai se ausentar nesse momento tão crucial do nosso país. Pelo contrário, será parceira empenhada na busca de soluções.

3- Como o Senhor pensa o uso dos recursos financeiros da USP? Quais as suas prioridades?
A USP enfrentou, por diferentes motivos, uma crise financeira que demandou a construção de medidas radicais e que se prolongaram ao longo de pelo menos 8 anos. O momento atual, no entanto, é de estabilidade orçamentária e a gestão não tomará nenhuma medida que possa abalar a saúde financeira da instituição, isto é cláusula pétrea do nosso compromisso com a gestão da Universidade. O orçamento, definido anualmente, baseia-se na LDO, projetando os 4 anos. No último Conselho Universitário, foi aprovada uma medida que respeita as diretrizes orçamentárias, garantindo a estabilidade para o próximo ano, incluindo os três períodos subsequentes. Segundo as diretrizes aprovadas, a reposição salarial e de pessoal docente e funcional faz parte da proposta. Caberá à nova Reitoria realizar um diagnóstico do conjunto e estabelecer medidas diferenciadas, a exemplo da valorização dos docentes em início de carreira, que são o futuro da Universidade. As propostas serão rediscutidas no âmbito do Conselho Universitário. A consciência sobre a necessidade de garantir a saúde financeira é hoje um valor no nosso meio.
Quero esclarecer que, durante a campanha, não me comprometi com índices de reajustes, mas com o princípio da valorização da carreira docente e técnico-administrativa, atualmente em processo de desvalorização, situação que, se não for enfrentada, a USP perderá posições e porá em risco o seu patrimônio científico, de ensino e de pesquisa. Estamos pensando na USP do futuro e não recuar diante dos desafios que se abrem, sem ferir o fundamental equilíbrio financeiro da instituição. A nossa proposta central é a de ampliar a excelência e tornar a USP uma instituição inclusiva, aberta aos problemas da sociedade, produzindo conhecimento científico de ponta.