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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Kassab vai ganhar as eleições de 2022

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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

09/12/2021 10h42

Gilberto Kassab pode ser o grande vencedor da eleição de 2022.

O partido contempla a possibilidade de ter:

- o vice de Lula, com Rodrigo Pacheco;

- o governador de SP, com Alckmin:

- a maior bancada na Câmara dos Deputados com cerca de 70 parlamentares, até um pouco mais;

- a maior bancada no Senado Federal com 15 parlamentares.

Mesmo que tudo não dê certo, Kassab e o PSD vão chegar perto.

Kassab foi o político brasileiro que mais entendeu e soube operar o fragmentado cenário partidário, que é um dos motivos para os problemas que temos hoje. Kassab não se lamentou, foi pragmático e conseguiu criar um partido, que Bolsonaro com cerca de 30% do eleitorado na época em que desejava ter o seu partido, não logrou realizar.

Não é preciso só base, é necessário competência gerencial e articulação política.

É certo que o partido de Kassab não é de esquerda, de direita nem de centro; e não traz acoplado a si uma proposta para desenvolver e transformar o país, e isso é o ponto fraco, e muito, do PSD.

Um partido de quadros com visibilidade política, quantidade de parlamentares e sem proposta clara. Os parlamentares não são induzidos a votar em qualquer direção e gozam de quase autonomia plena.

Isso, que é um defeito em termos do que um partido deveria ser, um conjunto de ideias para governar, é uma triste qualidade no cenário atual, pois atrai gente, que busca espaço próprio regionalmente.

Cada um tem uma ideologia, e se alberga onde não se exige ideologia.

Kassab percebeu tal fato, e foi célere.

Ele jogou o jogo. Jogo, aliás, que o PT e o PSDB não quiseram mudar quando estavam no Poder, e o PMDB de Temer, também não. Além do agravante que o STF consagrou em 2006 com o argumento que isso era democracia e não cabia comparar partidos de aluguel com PCdoB e PSOL. Não explicou porque os partidos pequenos e de esquerda não conseguem obter democraticamente, votos na população para vencer a cláusula de barreira. Que é democracia.

Todavia, Kassab não discutiu isso, e tratou de atuar conforme o regulamento do campeonato. Deu-se bem.

Gostem de Kassab ou não, hoje, ele é o político mais sagaz, dotado de solércia e astuto. Foi prefeito de SP,, secretário de Estado não empossado, ministro.

Criou um Centrão especial, nunca se amalgamou com o Centrão que está aí, embora muitas vezes tenha votado com ele.

Porém, criou DNA próprio e qualquer presidente que venha assumir, exceção de Bolsonaro, vai precisar dele inextricavelmente.

O PSD vai ser o que foi o PFL lá atrás, sobretudo no governo FHC. Kassab está construindo um novo PFL com a dimensão que aquele tinha.

Lula gosta de Kassab, conversa com ele e sabe da relevância do PSD para governar. Doria também saberia. Não creio que Moro, sem base alguma, menoscabaria o PSD lá adiante. Bolsonaro não deve ganhar a eleição e isso ficou claro nos bastidores, quando Kassab foi se distanciando e criando um muro entre o PSD e Bolsonaro.

Para o público que acompanha a política, Kassab é uma espécie de farejador do Poder, sabe aonde ele vai se depositar, Kassab sinalizou, com suas atitudes, que Bolsonaro não é perspectiva de Poder.

Ele dificilmente erra. E não cria muro entre si e o Poder.

De súbito, neste intricado quadro eleitoral, onde as alianças futuras podem definir o epílogo, Kassab, discreto e esperto, surge articuladamente como um protagonista maior para 2023 em diante.

Ele pode ser o maior vencedor das eleições. Para completar precisaria incluir um programa que leve o Brasil ao desenvolvimento.

Desenvolvimento não é só crescimento. Neste quadro de vergonhosa desigualdade, desenvolvimento é crescimento com distribuição de renda, com diminuição significativa de desigualdade.

Tal perspectiva de conquista, Kassab ainda está a dever ao Brasil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL