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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Com equipe de Bolsonaro, a eleição vai ter conflitos muito graves

Fabrício Queiroz e Jair Bolsonaro posam juntos em vídeo publicado por ex-assessor - Reprodução
Fabrício Queiroz e Jair Bolsonaro posam juntos em vídeo publicado por ex-assessor Imagem: Reprodução
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

17/01/2022 16h27

Como toda eleição catalisa uma série de embates, a sociedade imagina que a próxima, 2022, será mais uma delas.

A sociedade está com o foco na pandemia de ômicron, na gripe, no desejo de sair do recolhimento, no emprego, na sobrevivência, e ainda não projetou, nem precificou o tamanho do conflito que vem adiante com aprovável saída de Bolsonaro do poder. Vai perceber isso em Julho de 2022.

Os adeptos de JB não vão abandonar o Poder como qualquer outro já realizou, o PSDB com FHC, o PT, com Dilma. Eles sabem o que representa a escalada abismo abaixo e muita gente tem a certeza que os processos, que estão parados ou morosos na Justiça, vão andar. E, rápido.

O presidente que entrar precisará fornecer uma satisfação à sociedade que o elegerá, exausta com as atitudes de Bolsonaro.

O ser humano busca sempre uma reparação para o tempo em que foi constrangido. Bolsonaro está exagerando nas ações e provocando a maior parte da sociedade, com sua vocação para o conflito, e para uma forma de se comportar destrutiva e nada conciliatória. É uma briga nova a cada dia, sempre desafinado o bom senso. Isso gera dor e cicatrizes.

Os filhos de Bolsonaro vão se preparar para uma "guerra", justamente assentados no autoengano de que as pesquisas são mentirosas, como se todos os institutos estejam fraudando os trabalhos, e não haja no processo nenhum eleitor bolsonarista trabalhando. Acreditando em muitos jornalistas, que estão colaborando nesse autoengano.

Como hoje as grandes armas eleitorais estão contempladas nas redes sociais, haverá toda uma luta pela exposição de "verdades", e possíveis "espionagens", e ataques "hackers".

Não pensem que isso ficará restrito aos EUA. Aliás, a turma de Trump está se aproximando do Brasil. Nosso país é base importante para a tentativa de Trump de voltar ao Poder, em 2024.

Suas "lives" são um convite para briga diuturno.

A seguir vem e virá a narrativa do voto "não-auditável" e a ideia de um complô fraudando a eleição, o que é inacreditável. Mas, virá.

Tudo somado, mais o ódio que foi semeado e já deu frutos cristalizados, haverá conflitos bem acima daquilo que houve em outras eleições.

Muita gente despreza tal possibilidade, porque há no Brasil uma sensação geral que nada vira alguma coisa relevante, que tudo se desmancha no ar e se transforma em esculhambação, tema de Escola de Samba no Carnaval e "meme" nas redes. Não será assim.

Bolsonaro está sinalizando para seu público, que pode vencer as eleições, e que é consagrado em praça pública, alegando que Lula não pode sair às ruas. Não sei se Lula não pode, com certeza tem rejeição, mas Bolsonaro se baseia no acolhimento de adeptos, protegidos pela segurança presidencial. Que proporciona a falsa ilusão de que tudo o mais é constante.

Ulysses Guimarães, com toda suas experiência, confundiu a turma que o esperava no aeroporto, com a população em geral. Sofreu grande decepção com o resultado, pois o ser humano gosta de enxergar o que quer ver, não a realidade.

Experimenta Bolsonaro ir publicamente a um campo de futebol nos dias de hoje. Verá a reação. Ele está provocando 70%, falando SÓ para 20%, 10%, não quer saber de nada.

Essa miragem tem consequências. Teremos um estresse além da conta.

Bolsonaro, no fundo, além de saber, aposta nisso como arma de intimidação.

Ninguém muda a personalidade, ainda mais quando está no Poder.