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José Luiz Portella

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro e aliados: o que pensam e como vão agir

7.set.2021 - O presidente Jair Bolsonaro chega à Avenida Paulista para discursar a apoiadores - Andre Lucas/UOL
7.set.2021 - O presidente Jair Bolsonaro chega à Avenida Paulista para discursar a apoiadores Imagem: Andre Lucas/UOL
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

22/05/2022 08h49

Bolsonaro é meio louco, meio metódico.
Tanto é um erro achá-lo só um doidivanas perigoso aloprado, como apenas imaginá-lo um engenheiro político, que pensa cada passo da jornada
Quando se ouve parlamentares aliados, generais da reserva e alguns da ativa, coronel que trabalha com Bolsonaro e civis apoiadores, é possível traçar um quadro mais real.
Bolsonaro e aliados mais próximos, o núcleo duro, que inclui Ciro Nogueira e o Centrão amestrado, todos sabem que Bolsonaro está perdendo no voto, que as pesquisas não são um gigantesco complô contra Bolsonaro, e acreditam que o antilulismo pode causar comoção maior e levar Bolsonaro ao segundo turno com diferença em torno de oito pontos, e, então, uma guerra publicitária nas redes e na TV virariam o jogo no segundo turno. Opinião deles. A ver.
A briga não é Bolsonaro x Lula, nem Barbárie x Democracia, nem Pátria x Comunistas.

É antilulistas contra antibolsonaristas. Este é o pleito. Briga de rejeições. A força da exclusão.
O comando da campanha, com Flávio e irmãos, tem cuidadosamente listado e pesquisado, aos detalhes, o que eles chamam de "crimes de Lula e do PT", que vão desde os fatos já conhecidos como mensalão e Petrobras à coisas novas, que eles pesquisaram, não sei dizer, se verdadeiras ou não.
Só que juntadas às peripécias reais já executadas pelo PT, com a participação ou as vistas grossas de Lula, sem que estes tenham cometido qualquer ato de arrependimento ou pedido de desculpas, soarão verossímeis.
Ser verossímil pode ser verdade ou não, mas parece verdade.
O comando bolsonarista está convicto de que com a expertise havida em redes sociais e mais o tempo na TV, que não tiveram em 2018, isso espraiará, de forma contundente, e virará vários votos, que estão com Lula, por repulsa a Bolsonaro, contudo sem amor a Lula.
Ou seja, a aposta é que o horror a Bolsonaro já é conhecido e está no preço, e o horror a Lula vai aumentar de tal forma, que procederá uma aversão a Lula no primeiro momento, seguida de transferência de voto no segundo. Esta é a hipótese.
Nessa balada, bolsonaristas contam com a rejeição por parte da sociedade do "politicamente correto exagerado", que aparece nas pautas identitárias, e que colide com a forma de ser dos brasileiros, mais conservadora.
Observando a matéria da Folha de domingo (22/5), página A6, percebe-se que há possibilidade.
Exigir que as pessoas chamem de indígena em vez de índio, termo usado por anos, penalizar quem fala "escravo" em vez de escravizado, "tesão" ser palavra que ofende a luta pela causa feminina, atacar quem utiliza o vocábulo "escurecimento", não poder falar em churrasco nem picanha, são coisas que, ao invés de ajudar na luta pela igualdade e diversidade, podem atrapalhá-la.
Quanto mais grupos identitários e étnicos se fecham em guetos, mais se isolam e ficam discriminados.
Na eleição de 2018, muita gente esqueceu de evento que contribuiu bastante para alçar Bolsonaro. As pessoas só falam na facada como ponto para inflexão. Também foi, mas, não só.
Após uma manifestação com viés fascista pró-Bolsoaro , na ocasião, houve uma resposta no Largo da Batata, contra Bolsonaro, onde predominaram pautas identitárias, de uma forma veemente.
Inclusive com camisetas com termos que entraram em choque com o eleitor mediano brasileiro.
Isso ajudou muito na subida de Bolsonaro, também, conforme pesquisas qualitativas da época. À toda ação, corresponde uma reação, com força igual e contrária. Terceira lei de Newton.
A luta pela igualdade e respeito à diversidade conquistou muitos avanços nos últimos anos, porém, aceitar não é gostar, segundo a pesquisa da revista GR com homens do Brasil: o conservadorismo é maior do que se pensa.
Aceitar não é gostar. Não discriminar é uma coisa, apreciar é outra.
Sem saber, certos grupos identitários estariam fazendo o jogo de Bolsonaro, na concepção dos bolsonaristas .
Existem bolsonaristas no voto, que compreendem bem os absurdos de Bolsonaro, mas, o ódio a Lula é maior. Segundo as próprias palavras com as quais eles se justificam: "Entre o 'Louco" e o "Ladrão", fico com a loucura. Opinião deles.
Isso é muito comum entre vários generais: eles não gostam do procedimento de Bolsonaro. Lembram sempre como ele foi afastado do Exército e como ele utilizou a política sindicalista, para se eleger vereador, incitando às famílias de soldados e cabos.
Militares tradicionais antigos conhecem bem a história de Bolsonaro no Exército. Porém, não conseguem engolir Lula. Nem com chuchu. Ao contrário, eles passaram a detestar chuchu.
Existem militares que gostam de Lula, são poucos, apesar do esforço de Nelson Jobim, que faz dupla com Esteves para a aceitação de Lula pela sociedade. Um no seio castrense, outro no mercado financeiro.
Em síntese, Bolsonaro e equipe do ódio estão mergulhados na luta para colocar o capitão no segundo turno, com a menor diferença possível, e tirar a diferença no segundo turno, realizando virada do jogo nos minutos finais do segundo tempo.
Se isso não funcionar, e perderem, vão contestar a vitória.
Para isso, precisam que ela seja pela menor margem possível. E, é atrás disso que correm. Pode parecer meio loucura, mas tem método.
Bolsonaro não vai aceitar a derrota.
Muito menos se ela for por diferença pequena. Para isso, trabalha no Plano B, paralelamente, como um hedge, que consiste em alvejar e tirar credibilidade do STF, um STF, que as pesquisas bolsonaristas mostram que é reprovado pela opinião pública, com destaques de rejeição para Gilmar Mendes e Alexandre Moraes, conforme os dados que manejam.
Não vai haver paz, após as eleições. Com qualquer resultado.
Se Lula ganhar no primeiro turno, o que é não é simples, mas possível, será por exígua margem, e amparado pelo voto nulo que pode vir dos eleitores dos candidatos da terceira via.Votos nulos serão maior do que à adesão ao voto útil.
Então a confusão será mais cedo e pior. O mercado vai tremer.
Bolsonaristas estão prontos.