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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Datafolha emudece bolsonarismo primitivo, mas Lula não pode subir no salto

instituto confiável nas pesquisas presidenciais - Datafolha - Divulgação
instituto confiável nas pesquisas presidenciais - Datafolha Imagem: Divulgação
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José Luiz Portella

Sobre o Autor - Pós-doutorando em sociologia pela FFLCH-USP. Doutor em ciências- área história econômica Doutor em história econômica FFLCH-USP Engenheiro civil -especializado em gestão, orçamento e planejamento urbano; ocupou cargos públicos nos governos federal, estadual e municipal pesquisa medição do impacto das políticas públicas.

Colunista do UOL

27/05/2022 08h15

Pesado como coquetéis de cloroquina com ivermectina, o Datafolha calou fundo no fígado do reacionarismo primitivo, que sustenta Jair Bolsonaro (PL).

Fábio Faria, o que desistiu da eleição, passou o recibo. Inventou enquete irônica, deu-se mal no resultado, e o pior é que logo lhe assacaram uma contrapartida: ele usara o Datafolha para enaltecer Bolsonaro no passado recente.

O comportamento dos "bolsonaros" funciona da forma "Escola de Comunicação Rubens Ricupero" de ser: quando interessa a gente mostra, quando não, a gente esconde.

Já a narrativa Bolsonaro, aludida pelos " Sherazades das Mil e Uma Noites do Capitão", construtores de narrativas na imprensa nativa, protege-se mais da realidade.

Ela desqualifica qualquer pesquisa, como se todas fossem produto de um convênio entre institutos, que as cometem, e o Instituto Lula de recrutamento, a supor que todos os pesquisadores são petistas, e os sistematizadores são membros egressos do Instituto Perseu Abramo. Insanidade não tem limite. Honestidade intelectual, pelo jeito, tem.

Alguns chegaram a dizer que as pesquisas não batiam com as enquetes. Da Jovem Pan, claro.

Não batiam, nem devem bater, porque enquete não possui o efeito amostral das pesquisas, e, muitas vezes, são feitas em públicos enviesados.

Também pregaram contra as pesquisas na eleição de Macron, dizendo que elas sempre apresentavam viés de esquerda, e que Marie Le Pen ganharia. Não foram felizes.

Contudo, para eles isso pouco importa. Steve Bannon ensina como tergiversar.

Na prática, os construtores de narrativas de Bolsonaro sabem o que cometem. Estão pouco preocupados coma verdade, eles desejam criar base para a contestação da eleição, onde a derrota de Bolsonaro se avizinha.

Porém, queiram ou não, o Datafolha é visto como o instituto de pesquisa com maior credibilidade na sociedade e utilizado pelos políticos como parâmetro para suas decisões.

A diferença explicitada deixou os bolsonaristas, mesmo os mais primitivos, calados.

No mercado, onde ainda restam "Pedros Jobins" perdidos, cada vez mais os donos, seguindo movimento anteriores dos assessores "insiders" de política, aqueles que não buscam informações, mas "informações sigilosas" —"inside information"— para ganhar dinheiro em "nome de um Brasil melhor", estão pedindo vaga na agenda de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Este está recebendo mais "Faria Limers" do que sindicalistas socialistas.

Só restaram os "Bolsoivermectinas" a clamar pela fraude eleitoral. O resto vai entrar logo para o Conselhão do Lula e dizer: Lula nunca foi contra o mercado. Têm razão.

Lula enriqueceu o mercado e os brasileiros mais ricos com subsídios não liberais, que os liberais gostam. Por isso, Lula guarda mágoa, que procura disfarçar em incompreensão.

Mas o Datafolha foi um divisor de águas. Junto com o vazio da fala de Simone Tebet (MDB), a candidatura oca que apresenta, estabelece caminho livre para Lula, com boa probabilidade de vencer no primeiro turno, se não subir no salto. E Lula gosta de um salto alto.

Quando há dois meses escrevi, pela primeira vez, que Lula poderia vencer no primeiro turno, houve uma comoção dos bolsonaristas, começando pelo leitor Luiz Francisco Arenas, que me apresentava como melhor argumento contra, a saúde de Lula, que ele não consultou o prontuário. Apenas desejou.

Lula está perto da vitória, resta saber em que turno, e como o país enfrentará o inconformismo elaborado pelos bolsonaristas.

Depois virá o imenso reencontro com a realidade petista, que não vai ser simples, e também não contará com a maioria da população silente.

Com o Orçamento arrebentado pelo Centrão, com a mudança institucional ideológica que virá, com a premência de política pública, para retirar pessoas da miséria e da fome, teremos um 2023 atribulado, e nada pacífico, como muitos almejam.

Mas que o Datafolha doeu, doeu.

Vamos aguardar as novas fabulações de Fábio, o Faria, e os "Daniéis Silveiras", que Bolsonaro, valentão, não conhece bem. Para quebrarem a placa da Justiça Eleitoral.

Enquanto isso, pode-se divertir assistindo os 'stand up' de Paulo Guedes pelo mundo, de mãos dadas com Alice, falando do País das Maravilhas, que arrecadaria 1 trilhão pela venda de patrimônio, e que está dando uma "lição ao mundo" de desenvolvimento, e dois dígitos em desemprego, juros e inflação e onde o Banco Central independente, não vai entregar uma inflação na meta. Objetivo maior do seu mandato.

Se fosse o "dependente", mercado não perdoaria. Irritação só contra quem não é do status quo mercadista.

Dá-lhe, no mais.