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Josias de Souza

Caso Flávio-Queiroz invade Ano Novo do capitão

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Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

18/12/2019 23h56

Ao transferir do freezer para a chapa quente as investigações que encrencam Flávio Bolsonaro, o Ministério Público do Rio de Janeiro enfiou dentro da lista de metas do presidente da República par o ano de 2020 um novo item. As batidas policiais de busca e apreensão realizadas nesta quarta-feira impõem a Jair Bolsonaro a definição de uma estratégia para lidar com o inquérito estrelado por seu filho Zero Um e o PM aposentado Fabrício Queiroz, o faz-tudo do clã presidencial.

Apenas Bolsonaro e seu filho sabem o tamanho real do buraco em que se meteram. O esforço que Flávio fez para tentar impedir o avanço do inquérito indica que o buraco não é pequeno. Mas ainda que a dificuldade fosse pequena, ela se tornaria crítica se passasse a influenciar o rumo do governo. O Brasil já assistiu a um filme parecido. E o final não foi feliz. Michel Temer estava a caminho da aprovação de uma reforma da Previdência quando foi abalroado pelo grampo do Jaburu. Seu governo acabou ali.

O caso que envolve o filho e o amigo de três décadas do presidente estilhaçou o discurso da família Bolsonaro. Imitando o arquirrival Lula, Bolsonaro já declarou que a investigação aberta a partir da movimentação bancária suspeita atribuída a Queiroz é uma orquestração que utiliza seu filho como escada para atingir o governo.

Um repasse tóxico de R$ 24 mil para a primeira-dama Michelle Bolsonaro encostou Queiroz e sua conta bancária suspeita nas colunas do Palácio da Alvorada. O presidente disse ter emprestado R$ 40 mil a Queiroz. Nessa versão, o dinheiro seria parte do pagamento. Mas não há comprovação do empréstimo. Toda crise tem um custo. Bolsonaro precisa chegar à virada do ano sabendo que preço está disposto a pagar. O tempo joga contra. É melhor acender a luz do que esperar pelo pus.