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Bolsonaro vê competência na lambança do MEC

REUTERS/Ueslei Marcelino
Imagem: REUTERS/Ueslei Marcelino
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

27/01/2020 03h59

Cutucado pelos repórteres, Jair Bolsonaro disse meia dúzia de palavras sobre a lambança que enodoa o primeiro Enem de sua administração.

O capitão soou resignado: "Erros no Enem, sempre há." Espanto!

Exibiu complacência: Abraham Weintraub "é extremamente competente". Estupefação!

Terceirizou responsabilidades: "É a Justiça que decide" se cancela ou não o exame." Assombro!

A experiência ensina que promessa de candidato é uma coisa, realidade de governante é outra bem diferente. Mas Bolsonaro exagera.

Prometeu um "ministério técnico", capaz de "evitar os erros do passado". Não tem mais obsessão pelo acerto. E já começa a se afeiçoar ao erro.

Enaltece Weintraub, o 'imprecionante', num instante em que o ministro da Educação exerce sua incompetência com extrema competência.

Horas depois de Bolsonaro ter empurrado o Enem bichado para o colo do Judiciário, a desembargadora Therezinha Cazerta, presidente do TRF-3, ministrou-lhe uma aula gratuita.

A doutora lecionou: "O Poder Judiciário não é esteio para a solução dos problemas administrativos que o Poder Executivo enfrenta, mas garantidor de direitos, que exerce sua atribuição quando protege os indivíduos do arbítrio do Estado".

A desembargadora Therezinha negou pedido do governo para derrubar liminar que suspendera a divulgação do resultado do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). As inscrições foram encerradas às 23h59 deste domingo (26/01).

Bolsonaro está na Índia. Para pilotar o avião que o levou, só se habilita gente sabidamente competente. Mas para dirigir o MEC —ou o Brasil— qualquer um se acha capacitado.

Josias de Souza