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Todos suspeitam de Wajngarten, exceto Bolsonaro

UESLEI MARCELINO/REUTERS
Imagem: UESLEI MARCELINO/REUTERS
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

28/01/2020 05h55

Uma característica curiosa da corrupção se observa na administração pública. O corrupto está sempre nos outros governos. Jair Bolsonaro gasta baldes de saliva para sustentar que não há malfeitores à sua volta.

Não convém discutir com um perito no assunto. Mas os órgãos de controle parecem decididos a conferir a situação de Fabio Wajngarten, o chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

O Ministério Público Federal em Brasília acaba de requisitar a abertura de um inquérito criminal. Pede que a Polícia Federal verifique se Wajngarten cometeu crimes de corrupção, peculato e advocacia administrativa.

Nesta terça-feira (28/01), a Comissão de Ética Pública da Presidência também se reunirá para tratar do caso em que o chefe da Secom aparece dos dois lados do balcão.

Do lado de fora, Wajngarten é sócio de empresa que presta serviços a tevês e agências. Do lado de dentro, assina contratos que favorecem sua clientela.

O chefe da Secom é protagonista também de um processo aberto no Tribunal de Contas da União sobre o rateio de verbas publicitárias. E deve ser convocado para prestar esclarecimentos em comissões do Congresso.

Todos parecem desconfiar de Fabio Wajngarten, exceto Jair Bolsonaro. Questionado, o capitão exibe reações destemperadas. Já mandou uma repórter calar a boca. "Se foi ilegal, a gente vê lá na frente", declarou, ao comentar a aparente dupla militância do empresário que virou seu auxiliar.

No momento, a dúvida que flutua na atmosfera é a seguinte: até onde Bolsonaro deixará o melado escorrer?

Josias de Souza