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Exclusão de miliciano da lista de Moro pega mal

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

31/01/2020 19h47

Elaborada pelo Ministério da Justiça, a lista dos bandidos mais procurados do Brasil exclui o nome do miliciano foragido Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro. A exclusão não faz bem à biografia do ministro Sergio Moro. Nesse episódio, o ex-juiz da Lava Jato está na posição de mulher de César: não basta parecer, é preciso ser honesto.

O capitão Magalhães, como é conhecido, ostenta o apelido de "Caveirão". É um velho amigo de Fabrício Queiroz, o 'faz-tudo' da família Bolsonaro. Duas parentes do fujão —uma filha e a mulher— fizeram escala na folha salarial tóxica do gabinete de Flávio Bolsonaro na época em que o Zero Um dava expediente na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Alega-se na pasta da Justiça que o amigo do amigo dos Bolsonaro praticava seus crimes em âmbito local, não nacional. O problema é que há na lista do ministério pelo menos outros dois milicianos que ostentam condições análogas. Moro ainda pode se reposicionar em cena. Basta incluir o nome de Magalhães na sua lista.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Josias de Souza