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Humilhado, Onyx sinaliza desejo de ficar no governo

Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

31/01/2020 03h15

Humilhado por Jair Bolsonaro em plenas férias, o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) antecipou para esta sexta-feira seu retorno a Brasília. Deve encontrar-se com o presidente. Contrariando os conselhos de parte de seus amigos e correligionários, que defenderam seu retorno à Câmara, Onyx sinalizou a pretensão de permanecer no governo. Em privado, disse não acreditar que o presidente cogite demiti-lo.

Se Onyx estiver certo, seu maior desafio à frente da Casa Civil será encontrar algo com o que se ocupar. A pasta tornou-se uma superestrutura pendurada no ar. Pelo Twitter, Bolsonaro informou que transferirá para o Ministério da Economia a gestão do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Era a única atribuição relevante ainda sob a responsabilidade da Casa Civil.

Num processo gradual de esvaziamento, Bolsonaro já havia transferido a coordenação política das mãos de Onyx para a Secretaria de Governo, hoje chefiada pelo general Luiz Eduardo Ramos. Passara adiante também o serviço de controle sobre a legalidade dos atos assinados pelo presidente, agora sob a responsabilidade da Secretaria-geral, chefiada pelo ministro Jorge Oliveira.

Iniciada em meados de 2019, a mutilação dos poderes da Casa Civil foi concluída nesta quinta-feira, nas pegadas do caso que envolveu o uso de avião da FAB por Vicente Santini, o ex-número 2 da pasta de Onyx. No curto intervalo de 48 horas, Santini foi demitido, recontratado e exonerado pela segunda vez.

Ironicamente, é de Bolsonaro a responsabilidade pelo vaivém que constrangeu a sua Presidência com a recontratação de Santini. Em nota oficial, a Casa Civil informara na noite de quarta-feira: "O presidente e Vicente Santini conversaram e o presidente entendeu que Santini deve seguir colaborando com o governo".

Santini foi acomodado em função cujo contracheque (R$ 16.944) era quase do mesmo tamanho do anterior (R$ 17.327). Diferença de apenas R$ 383. Bolsonaro esperava que a reacomodação fosse feita discretamente, sem os tambores de uma nota oficial.

Fustigado nas redes sociais, Bolsonaro correu para o Twitter. Num único post demitiu dois assessores de Onyx: Santini —pela segunda vez— e Fernando Moura, um adjunto que havia assumido interinamente o comando da Casa Civil, acomodando seu jamegão na recontratação do colega. De quebra, Bolsonaro retirou o PPI da pasta de Onyx, esvaziando-a.

Josias de Souza