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Falta ao bufê de 2022 prato que encante o eleitor

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

07/02/2020 00h17

Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, disse que se não houver uma unificação do centro político, com uma aliança entre pretendentes ao trono como Luciano Huck, João Doria e Ciro Gomes, o segundo turno de 2022 será disputado entre Jair Bolsonaro e o candidato a ser indicado por Lula. Esse é também o cenário com o qual Bolsonaro trabalha.

Candidato prematuro à reeleição, Bolsonaro opera partindo do pressuposto de que, em 2022, Lula e seu novo poste levarão à vitrine uma plataforma incapaz de atrair o eleitor centro. No momento, o presidente dedica-se, com radicalismo e certo método, a detonar potenciais candidatos de centro, especialmente Huck e Doria. Tenta forçar um cenário bipolar, do tipo "ou eu ou a volta do PT". Até aqui, com a ajuda inestimável do que sobrou do PSDB e do PT, a tática de Bolsonaro vem dando certo.

Eleição é como um restaurante de self-service. O eleitor não pode fazer uma omelete, precisa escolher entre os pratos que estão expostos no balcão. Em 2018, o que se convencionou chamar de centro, com suas ramificações à esquerda e à direita, foi representado por Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Álvaro Dias, Henrique Meirelles e João Amoêdo. A repetição desse quadro diluído favoreceria a reedição da polarização.

Mas se o resultado de 2018 ensinou alguma coisa foi que o eleitor brasileiro está de saco cheio de velhas coligações. Há uma variável que pode alterar o resultado da equação montada por Rodrigo Maia, Bolsonaro e o próprio Lula. Se o atual presidente tiver resultados a exibir em 2022, sobretudo na economia, será um candidato competitivo. Mas num cenário em que um pedaço do eleitorado continua avesso ao PT e outra ala se sente enganada pelo capitão, há espaço para o crescimento de um candidato que se disponha a trafegar por cima dos conchavos.

Por enquanto, quem tem popularidade para desempenhar esse tipo de papel ainda não assumiu sua vocação política. Chama-se Sergio Moro. Bolsonaro já percebeu isso. E age para desligar a candidatura do ex-juiz da Lava Jato da tomada. Mais do que a pretendida união do centro, o que falta ao bufê de 2022 é um candidato que empolgue o eleitor a ponto de votar naquilo que prefere e não numa alternativa para evitar o que rejeita.

Josias de Souza