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Erros e acertos do governo não são das Forças Armadas, diz Hamilton Mourão

Sergio Lima/AFP
Imagem: Sergio Lima/AFP
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

14/02/2020 15h00

Num instante em que Jair Bolsonaro celebra o fato de o Planalto ter ficado "completamente militarizado", o general Hamilton Mourão considera importante deixar algo "muito claro". Em entrevista à Rádio Gaúcha, o vice-presidente declarou: "Eventuais erros e acertos do nosso governo não podem ser debitados na conta das Forças Armadas".

Mourão fez a observação ao ser instado a comentar a nomeação do general Walter Braga Netto para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, em substituição ao deputado licenciado Onyx Lorenzoni.

"Essa é uma preocupação que a gente tem desde o começo do nosso governo", afirmou Mourão. "A gente tem que deixar claro que as Forças Armadas continuam do lado de fora, apesar de nós termos a presença de elementos do meio militar. Mas as Forças Armadas estão fora, na mão dos seus comandantes."

Com a chegada de Braga Netto, Bolsonaro passou a dispor de quatro ministros palacianos militares. Além do novo titular da Casa Civil, há o general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo); o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e o major da reserva da Polícia Militar Jorge Oliveira (Secretaria Geral da Presidência).

Embora Bolsonaro já tivesse transferido a articulação política do seu governo para o general Luiz Ramos, Mourão atribuiu a nova mexida na equipe ministerial à necessidade de azeitar as relações do Executivo com o Legislativo. O general falou como se ecoasse preocupações de Bolsonaro:

"As mudanças que o presidente Bolsonaro promoveu são mudanças que considerou necessárias no sentido de dar mais agilidade, mais capacidade de negociação. Digamos também que ele julgou que a articulação política não andou da forma necessária. Nós entregamos muita coisa para o Parlamento e recebemos muito pouca coisa de volta. Apesar do parlamento ter aprovado a reforma da previdência, que foi uma coisa extraordinária e ser um parlamento reformista".

Josias de Souza