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Na trilha de Moro, Bretas se aproxima de Bolsonaro

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

17/02/2020 03h04

Antes de ganhar luz própria, o juiz Marcelo Bretas frequentava o noticiário como uma versão carioca de Sergio Moro. Responsável pelos processos da Lava Jato no Rio de Janeiro, o magistrado parece seguir os passos do ex-juiz de Curitiba também na seara política. Bretas escancarou no último final de semana um movimento que vinha administrando com discrição. Achegou-se definitivamente a Jair Bolsonaro.

"A Cidade Maravilhosa dá boas vindas ao sr. presidente da República Jair Bolsonaro e sua comitiva", anotou Bretas na legenda de um vídeo que postou no Instagram. A peça exibe o desembarque do presidente no Rio, no último sábado. O juiz aparece na cena no final de uma fila de cumprimentos que incluía o prefeito carioca Marcelo Crivella e o senador Flávio Bolsonaro, investigado por suspeita de peculato e lavagem de dinheiro no caso da "rachadinha."

Em atividade alheia às suas atribuições como magistrado, Bretas manteve-se a tiracolo de Bolsonaro na inauguração de uma obra viária: a alça de ligação da Ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha. Evangélico, o juiz deixou-se filmar junto com Bolsonaro também em cima de um palanque montado na Praia de Botafogo para celebrar os 40 anos da Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário RR Soares.

Num instante em que o presidente vive às turras com o ex-aliado Wilson Witzel, governador do Rio, Bretas testemunhou de perto a dancinha que potencializou a união de Bolsonaro com o prefeito Crivella. Abraçados, os dois rodopiaram ao som de um cântico de refrão sugestivo: "Ohhh Glória, nós damos glória. E vamos todos dar a volta da vitória..."

Há oito meses, Bretas voara a Brasília para encontrar-se com Bolsonaro, fora da agenda, no Palácio da Alvorada. Desde então, aproximava-se do Planalto sem alarde. A superexposição do último sábado ocorre a nove meses da aposentadoria do ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal.

Caberá a Bolsonaro indicar o substituto de Celso de Mello. Ele já manifestou reiteradas vezes a intenção de encaminhar ao Senado um nome "terrivelmente evangélico". Bretas se move como se desejasse frequentar o rol de opções do presidente. Além das imagens ao lado de Bolsonaro, o juiz pendurou no Instagram uma foto na qual aparece abraçado ao ministro Augusto Heleno (GSI), um dos principais conselheiros de presidente. "Registro minha admiração pelo sr. ministro general Heleno", escreveu.

Josias de Souza