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Comissão de Ética revela-se órgão sem curiosidade

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

18/02/2020 15h55

A Comissão de Ética da Presidência da República arquivou o procedimento que deveria apurar suspeita de conflito de interesse por parte de Fabio Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação do Planalto. Fez isso sem sequer esboçar interesse por aprofundar a apuração.

Espantosa comissão de ética essa, que toma decisões sem fazer concessões à dúvida. O chefe da Secom controla 95% das cotas de uma empresa privada? Normal! A empresa recebe dinheiro de TVs e agências que prestam serviços à Secom? Pois que seja, e com o aval da Comissão de Ética Pública.

Não é a primeira vez que o colegiado suprime de sua rotina o ponto de interrogação. Com outras composições, o conselho fechou os olhos para elefantes notórios. Deu de ombros, por exemplo, para a evolução patrimonial exuberante de Antonio Palocci, esquadrinhada pela imprensa e, posteriormente, pela Lava Jato.

Poder-se-ia dizer que a Comissão de Ética não tem memória. Mas o que ela não tem mesmo é curiosidade. Por isso, flerta com o descrédito. Wajngarten solta fogos, mas é cedo. A pedido do Ministério Público, a Polícia Federal investiga o chefe da Secom para saber se praticou corrupção passiva, peculato e advocacia administrativa. Resta aguardar.

Josias de Souza