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Mandetta deveria trocar a bravata pela humildade

Jose Cruz/Agencia Brasil
Imagem: Jose Cruz/Agencia Brasil
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

28/02/2020 12h06

Numa mesma entrevista sobre o coronavírus, o ministro Henrique Mandetta (Saúde) conseguiu soar confiante e vacilante. Exalou confiança ao declarar que o Brasil será capaz de lidar eficientemente com o vírus se ele repetir nesta terra de sabiás estrago semelhante ao que produziu na China. Vacilou ao reconhecer que ainda não é possível saber como a assombração se comportará num país tropical.

Ora, ora, ora. Se não consegue dimensionar o potencial do inimigo, como o ministro pode assegurar que conseguirá prevalecer sobre ele com desenvoltura? Olhando ao redor, o doutor talvez percebesse que o melhor é trazer a língua coleira. O governo que Mandetta integra não conseguiu evitar erros na correção das provas do Enem. Permitiu que se formasse nos guichês do INSS uma fila de quase dois milhões de candidatos à aposentadoria, auxilio doença e auxilio maternidade.

Está entendido que, como planejador, o governo é impotente para resolver problemas. Mandetta deveria zelar para não virar um ministro genial na organização da próxima confusão. Do contrário, descobrirá da pior maneira que a humildade é uma conselheira mais sensata do que a bravata.

Josias de Souza