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Sob crise, Bolsonaro e Maia travam jogo de empurra

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

10/03/2020 04h54

Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia estrearam um balé muito parecido com um jogo de empurra. Sempre que um deles insinua que o problema é do outro ambos se distanciam da solução.

Discursando para empresários nos Estados Unidos, o presidente da República declarou: "Conversei ontem rapidamente com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e ele falou que apesar de alguns atritos, que é muito normal de acontecer na política, a Câmara fará sua parte buscando a melhor reforma administrativa e tributária."

Para não correr o risco de martelar o próprio dedo, Maia respondeu como o sujeito que prega um prego segurando o cabo do martelo com as duas mãos. "Nós estamos prontos para ajudar, como colaboramos no ano passado com toda a agenda de reformas. [...] Acho que o governo precisa comandar esse processo, deixar claro para todos os atores da sociedade, para os outros dois poderes, o que que pensa e de que forma a gente pode ajudar."

O ministro Paulo Guedes (Economia) também se esforçou para encostar a crise no Congresso: "Se fizermos as coisas certas, o Brasil reacelera. Se fizermos as coisas erradas, o Brasil piora. O mundo está descendo, o Brasil está reacelerando. Nós precisamos das reformas." E Maia: "Eu acho que as reformas ajudam, mas certamente elas não são o único ponto para solucionar os danos da crise."

Cada vez que uma autoridade de Brasília insinua que o problema não é dela, fique mais evidente que esse tipo de atitude já é um imensurável problema. No caso de Bolsonaro e Guedes, um detalhe potencializa o ridículo da tentativa de fuga: ambos cobram do Congresso até a aprovação de reformas que ainda não enviaram —tributária e administrativa, por exemplo.

Josias de Souza