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Governador capixaba sobre encontro com Bolsonaro: "Não queremos bate-boca"

Marcos Corrêa/PR
Imagem: Marcos Corrêa/PR
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

25/03/2020 04h14

Horas depois de fustigar os governadores em rede nacional de rádio e TV, Jair Bolsonaro promove na manhã desta quarta-feira uma vídeo-reunião com os comandantes dos Estados do Sudeste.

No final da noite passada, o blog perguntou ao governador de São Paulo, João Doria, se ele e seus colegas participariam do encontro depois de assistir aos ataques de Bolsonaro em rede nacional de TV. E Doria: "Estamos decidindo."

Submetido posteriormente à mesma indagação, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, informou: "Sim, vamos participar, se o presidente mantiver a reunião."

Casagrande declarou que os governadores dispensarão ao presidente da República um tratamento compatível com o que receberem: "Seguiremos o tom dele." Realçou: "Não queremos bate-boca."

O governador capixaba insinuou, no entanto, que ninguém está disposto a levar desaforos para casa: "Todos nós já fizemos críticas públicas ao pronunciamento dele."

Na contramão do mundo, Bolsonaro contestou em rede nacional a necessidade de isolamento social. "Devemos voltar à normalidade", declarou. "Autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, como proibição de transporte, fechamento de comércio e confinamento em massa."

Para Casagrande, Bolsonaro revelou-se "desconectado da realidade e da ação do Ministério da Saúde." Avalia que, com suas posições, o presidente "atrapalha o trabalho dos governadores e menospreza os efeitos da pandemia."

Wilson Witzel, governador do Rio, afirmou que as declarações de Bolsonaro "contrariam as determinações da Organização Mundial da Saúde." Acrescentou que o governo fluminense continuará seguindo "determinações médicas", para "preservar vidas". Renovou um pedido à população: "Por favor, fiquem em casa." (assista abaixo)

Ex-aliados de Bolsonaro, Witzel e Doria tornaram-se, aos olhos do presidente, "inimigos políticos". Ele acusou Wietzel de invadir competências da União ao editar medidas contra o coronavírus. É como se o Rio fosse outro país, disse.

Abespinhado com um decreto de Doria que instituiu quarentena de 15 dias em São Paulo, com o fechamento obrigatório de comércios, bares e restaurantes, Bolsonaro atacou: "É um lunático. Está fazendo política em cima deste caso."

Doria contra-atacou: "Jair Bolsonaro chama coronavírus de gripezinha e eu que sou lunático? Lidere seu país, presidente. Faça seu papel. Os governadores do Brasil estão fazendo o seu".

Pelas contas de Doria, Bolsonaro "não fala com os governadores há 15 meses" —ou seja, desde a posse. Nesta quarta, finalmente, "lunático" e "gripezinha" voltam a conversar. Graças ao coronavírus, o encontro será virtual.

- Atualização feita às 12h02 desta quarta-feira (25): A reunião de Bolsonaro com os governadores do Sudeste resultou em desastre. O ápice do encontro foi um embate entre o presidente e o governador paulista João Doria.

Josias de Souza