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Governo faz conta de padaria, não de Posto Ipiranga

 Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Imagem: Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

27/03/2020 02h24

O Posto Ipiranga frequentou o debate sobre o valor do "vale corona" munido de uma calculadora de padaria. Na largada, o ministro Paulo Guedes e sua equipe levaram à mesa uma merreca: R$ 200. Ao final do processo, aprovou-se uma mixaria três vezes maior.

No início da semana, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, articulou a elevação do socorro a ambulantes e autônomos para R$ 500 por três meses. Informada, a pasta da Economia regateou, oferecendo R$ 300. Os deputados fincaram o pé.

Em sessão virtual e noturna, a Câmara preparava-se para impor uma derrota ao governo quando, de repente, sobreveio a boa nova: líder de Bolsonaro na Câmara, o Major Vitor Hugo informou que o presidente, após consultar Guedes, topara pagar R$ 600.

Que o coronavírus ferveu o software econômico do governo já se sabia. O que não se imaginava é que, faltando-lhe combustível liberal, Paulo Guedes mudaria tão radicalmente de ramo.

Os parlamentares esfregam as mãos. Se é para fazer conta de padaria, ameaçam transformar pães em brioches nas votações dos próximos projetos de socorro financeiro às vítimas da crise do coronavírus.

Josias de Souza