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Doria e Lula confirmam: política é território da farsa

Fotos: Zanone Fraissat/Folhapress e Diego Padilha/Divulgacao Agencia PT
Imagem: Fotos: Zanone Fraissat/Folhapress e Diego Padilha/Divulgacao Agencia PT
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

03/04/2020 18h51Atualizada em 04/04/2020 00h58

Lula jogou uma casca de banana nas redes sociais. Referindo-se a uma ação de João Doria, anotou: "A gente tem que reconhecer que quem tá fazendo o trabalho mais sério nessa crise são os governadores e os prefeitos."

O governador paulista poderia ter passado adiante. Mas achou que seria uma boa ideia escorregar na casca: "Temos muitas diferenças. Mas agora não é hora de expor discordâncias..." Hummmmm!

Doria cometeu um erro muito velho —o erro da falta de coerência. Na política, a possibilidade de cometer erros é tão grande, que convém escolher os erros novos.

Noutros tempos, um político hábil nunca ficava tão próximo que no dia seguinte não pudesse estar distante, nem tão distante que no futuro não pudesse se aproximar.

Na era pós-Lava Jato, porém, quem briga e faz as pazes com a mesma desconcertante naturalidade costuma migrar do campo da política para a seara da politicagem.

Na última campanha eleitoral, Doria era aliado de Bolsonaro. Celebrava a cana dura de Lula. Hoje, Doria briga com o capitão e troca amabilidades virtuais com o ex-presidiário.

Esse tipo de movimento pode servir para muita coisa, exceto para inspirar confiança. Ao contrário, estimula a convicção, já tão disseminada, de que a política é o território da farsa.

O eleitor fica autorizado a concluir que a política não deve ser levada a sério, muito menos os seus protagonistas.

Vá lá que a pessoa menospreze a própria biografia, mas um político que cultiva ambições presidenciais deveria ter mais respeito pela inteligência alheia.

Josias de Souza