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Bolsonaro toma gosto por comportamento de risco

Reuters via BBC
Imagem: Reuters via BBC
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

07/04/2020 05h50

A questão é de enorme relevância. Deveria preocupar a todos. Bolsonaro tomou gosto pelo comportamento de alto risco. Sua implicância com o apreço do ainda ministro Henrique Mandetta pela ciência potencializa uma estonteante tendência do presidente para a autodesmoralização.

Muita gente está empenhada em chamar a atenção de Bolsonaro, dentro e fora do governo. Os alertas soam sobretudo nos lábios de ministros militares. Mas isso parece agravar a situação. Bolsonaro demonstra uma incapacidade atroz de resistir aos impulsos. Flerta com o suicídio político. Chamar sua atenção só tem contribuído para agravar o quadro. Ele se sente perseguido.

A cada novo pronunciamento, a cada contato com os súditos do cercadinho do Alvorada, Bolsonaro oferece farta matéria prima para críticas ao seu comportamento. Quanto mais se critica o presidente, mais ele se mostra incapaz de resistir às tentações autodestrutivas.

Auxiliares que imaginam desfrutar da amizade de Bolsonaro avaliam que ele impõe à sua Presidência riscos insondáveis. Mas não se deve dizer isso em voz alta, porque aí mesmo é que ele põe fogo às próprias vestes. O capitão vai se tornando um presidente impossível de ser presidido.

Josias de Souza