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Regina Duarte vira Chapeuzinho Vermelho abilolada

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Imagem: Reprodução / Internet
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

08/05/2020 08h11

Ninguém se afoga por cair na água, mas por permanecer lá. Regina Duarte permanece nas águas turvas do governo Bolsonaro agarrando-se a jacarés como se fossem troncos. Não podendo decretar o fim da guerra ideológica na Secretaria da Cultura, a atriz ajustou o seu discurso à ideologia do presidente.

Numa única entrevista, concedida à CNN, Regina Duarte justificou o seu silêncio diante da morte de baluartes da cultura -"Será que eu vou ter que virar um obituário?"-, cantarolou a marchinha preferida do ditador Médici -"Pra frente, Brasil"- contemporizou com a tortura e a morte nos porões da ditadura -"Sempre houve tortura, não quero arrastar um cemitério nas minhas costas"- e celebrou sua própria fritura -"Estou adorando estar aqui."

No seu discurso de posse, há dois meses, Regina Duarte disse ter aceitado ingressar no governo porque Bolsonaro lhe prometeu "carta branca" e uma Secretaria da Cultura de "porteira fechada". A exemplo de Sergio Moro, ela também acreditou em Papai Noel. Tornou-se uma espécie de Chapeuzinho Vermelho que a turma de Olavo de Carvalho e de Carlos Bolsonaro xinga de comunista nas redes sociais.

Regina Duarte ainda não conseguiu compor a equipe dos seus sonhos. Deveria buscar a assessoria de uma criança de cinco anos. No teatro infantil, com seus enredos básicos, sua comédia ingênua e seus exageros trágicos, as crianças se integram com facilidade à catarse. Elas participam do espetáculo. Interferem na história, vaiam os vilões e torcem pelos supostos herois.

Uma criança avisaria para a Chapeuzinho Vermelho, aos berros, que o Lobo Mau está prestes a atacar. Invadiria o palco para evitar o ataque. O que falta a Regina Duarte é a companhia de uma criança de cinco anos capaz de saltar da poltrona do teatro e gritar, a plenos pulmões: "Fuja, Chapeuzinho!"

Josias de Souza