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Moro quer incluir fake news no combo anti-Bolsonaro

Foto Evaristo Só/AFP
Imagem: Foto Evaristo Só/AFP
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

17/05/2020 06h41

Ao empurrar Sergio Moro para fora do governo, Jair Bolsonaro ganhou um adversário metódico. Com a experiência adquirida em 22 anos de magistratura, Moro tenta transformar sua cruzada contra o presidente numa espécie de combo, misturando dois inquéritos: o que apura a interferência política do presidente na PF e o que investiga um aparato de fake news com as digitais do bolsonarismo.

Moro e seu advogado, Rodrigo Sanchez Rios, insistem em vincular os comentários feitos por Bolsonaro na reunião de 22 de abril à mensagem que o presidente enviou para o então ministro da Justiça no dia seguinte, via WhatsApp.

Na reunião, Bolsonaro falou em trocar "gente da segurança nossa no Rio de Janeiro" (pode me chamar de superintendente da PF) antes que surgisse uma "sacanagem" com potencial para "foder minha família toda ou amigo meu". Deixou claro que, para atingir seu objetivo, demitiria até o ministro se necessário.

No WhatsApp, o presidente reproduziu para Moro notícia segundo a qual o inquérito sobre fake news está "na cola" de uma dezena de parlamentares bolsonaristas. E arrematou, referindo-se a Maurício Valeixo, então diretor-geral da PF: "Mais um motivo para a troca".

Os dois inquéritos correm no Supremo Tribunal Federal. O caso da ingerência na PF é relatado pelo ministro Celso de Mello. O das fake news, que roça no Zero Dois Carlos Bolsonaro, é tocado pelo ministro Alexandre de Moraes. Num, observa-se o desejo de Bolsonaro. Noutro, a causa. Juntá-los é como unir pólvora e o fósforo.

Josias de Souza