PUBLICIDADE
Topo

Caótica, gestão Bolsonaro segue a Lei de Murphy

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

19/05/2020 12h15

O que mais assusta na autocombustão do governo de Jair Bolsonaro não é a sensação de que o capitão virou um político igual aos demais. Isso os desapaixonados já sabiam. Ninguém permanece por 28 anos na Câmara impunemente. Espantosa mesmo é a rapidez com que Bolsonaro se tornou diferente da encenação que ele inaugurou na campanha de 2018.

O fenômeno se deve a uma manifestação virulenta da Lei de Murphy. Essa lei nasceu de uma experiência do major John Paul Stapp. Médico e biofísico, o doutor Stapp foi selecionado pela Força Aérea dos Estados Unidos como cobaia de testes para medir a resistência humana a grandes acelerações. Desafiou a velocidade pilotando um trenó com propulsão de foguete.

Em 1949, Stapp bateu o recorde de aceleração. Mas ele não pôde festejar o feito. Os acelerômetros do trenó-foguete simplesmente não funcionaram. Destacado para descobrir a falha, o capitão Edward Murphy Jr., descobriu que um técnico tinha ligado os circuitos do veículo ao contrário.

No relatório em que informa sobre o erro, o capitão Murphy anotou: "Se há mais de uma forma de fazer um trabalho e uma dessas formas redundará em desastre, então alguém fará o trabalho dessa forma". O major Stapp batizou de "Lei de Murphy" o diagnóstico do auxiliar.

Aplicada à gestão de Bolsonaro, a "Lei de Murphy" ajuda a entender a atmosfera de caos que engolfa o governo. O presidente não lida bem com os circuitos de sua gestão. Podendo tocar a Presidência de várias formas, Bolsonaro opta invariavelmente por ligar os fios do governo ao contrário. O resultado é uma sucessão de crises que colocam a atual administração no rumo do brejo.

Josias de Souza