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Desqualificação de pesquisa não qualifica cloroquina

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

05/06/2020 02h52

Graças a um trabalho jornalístico impecável do jornal britânico The Guardian, descobriram-se os pecados daquilo que foi apresentado pela revista médica The Lancet como o mais completo estudo sobre o uso da cloroquina no tratamento de covid-19.

O estudo era, na verdade, um logro. Três médicos que subscreveram a conclusão que apontou os riscos da cloroquina se retrataram. Significa dizer que a pesquisa perdeu o valor científico. Virou pó.

O jornal descobriu que o estudo inclui dados inconfiáveis colecionados por uma empresa mequetrefe dos Estados Unidos. E o alegado monitoramento de 96 mil pacientes ao redor do mundo virou um pastel de vento.

Inimigo da ciência, o bolsonarismo solta fogos. Gasta euforia em vão, sem se dar conta de que a desqualificação do estudo não qualifica a cloroquina. Aliás, se o medicamento fosse a poção mágica que Jair Bolsonaro trombeteia, o vírus não teria matado mais de 30 mil brasileiros.

Josias de Souza