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Negacionismo de Bolsonaro revela-se patológico

                                 Respiradores são fundamentais para o tratamento de casos graves de coronavírus                              -                                 BRENDA ALCâNTARA/JC IMAGEM
Respiradores são fundamentais para o tratamento de casos graves de coronavírus Imagem: BRENDA ALCâNTARA/JC IMAGEM
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

15/06/2020 20h16

A realidade imposta pela pandemia ao Brasil é fúnebre e dolorosa. Mas Bolsonaro decidiu não viver lá. Incomodado com o que há no país que treme sob seus pés, o presidente optou por viver no mundo da Lua, onde o governo "não tem informações de que qualquer pessoa tenha falecido por falta de UTI ou de respiradores."

A exemplo do capitão, o brasileiro também odeia a realidade atual. Mas é o único lugar onde ainda pode conseguir um leito de UTI caso o coronavírus o alcance. Com alguma sorte, chega-se a uma cama com respirador do lado. Do contrário, dependendo da virulência do inimigo, não há cloroquina que dê jeito.

Falando desde o mundo da Lua, Bolsonaro declarou à BandNews que as estatísticas sobre mortos do coronavírus "não condizem com a realidade" brasileira. "Temos informações do Brasil todo de muita gente que falece de várias comorbidades e, entre elas, a Covid, e entra na estatística como Covid apenas. Isso não ajuda para que tenhamos uma numeração perfeita do que acontece, para que possamos tomar outras iniciativas."

Infelizmente, quando submetidos à crueza terrena, os fatos são teimosos. Eles continuam existindo mesmo se forem ignorados. De resto, ainda não foi trançado um tapete grande o bastante para esconder quase 44 mil cadáveres.

Logo, logo será impossível a Bolsonaro ignorar a realidade. Qualquer ilusão corre o risco de ficar velha em um minuto. Ou em uma planilha do consórcio de veículos de comunicação com a atualização do número de defuntos.

Josias de Souza