PUBLICIDADE
Topo

Se Sara fosse rival, Bolsonaro diria: ''É terrorista!'

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

15/06/2020 20h48

Imagine se um grupo de ativistas de esquerda fosse à Praça dos Três Poderes numa noite de fim de semana. Imagine que esse grupo antibolsonaro se posicionasse defronte do Palácio do Planalto. Imagine que, de repente, os adversários do governo promovessem um bombardeio da sede do Poder Executivo com fogos de artifício simulando bombas. Jair Bolsonaro certamente teria feito um escarcéu. Chamaria o ato de atentado e tacharia seus autores de terroristas.

Pois bem. Tudo isso aconteceu no final de semana passado. Com algumas diferenças. Os ativistas eram de direita, apoiadores de Bolsonaro. O bombardeio de fogos foi direcionado à sede do Supremo. E o presidente da República, que há uma semana se queixava de que seus opositores colocavam as mangas de fora em manifestações de rua, não disse uma palavra.

A despeito do silêncio de Bolsonaro, a resposta institucional aos arroubos antidemocráticos de ativistas profissionais a serviço do bolsonarismo vai mudando de patamar. A fase das notas de repúdio ficou para trás. Foi substituída pela etapa do inquérito, aberto no mês passado pelo Supremo a pedido da Procuradoria-Geral da República. Avança agora para a fase das ordens de prisão.

A Polícia Federal recebeu meia dúzia de mandados de prisão, entre eles o de Sara Giromini, a Sara Winter, uma das faces do autoproclamado grupo "300 do Brasil" —na verdade, um grupelho, que não reúne nem 30 pessoas. O que os distingue não é a quantidade de membros, mas a estridência das coreografias.

O grupo já havia encenado uma performance de estética racista na frente do Supremo. Agora, promoveu o bombardeio da Corte, disparando fogos em meio a ofensas e impropérios. Numa democracia, todos têm o direito de estar errados, não de fazer errado.

É preciso saber quem financia a maluquice antidemocrática dessa gente. Bolsonaro faria um bem a si mesmo se tomasse distância desse tipo de apoiador tóxico.

Josias de Souza