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Carluxo reproduz a charge que irritou Bolsonaro

Foto: Reprodução/Flickr
Imagem: Foto: Reprodução/Flickr
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

16/06/2020 05h07

Carlos Bolsonaro reproduziu nas redes sociais uma charge cuja publicação levou o ministro André Mendonça (Justiça) a pedir a abertura de inquérito com base na lei de segurança nacional. A peça associa Jair Bolsonaro à suástica, símbolo nazista. Foi feita pelo chargista Renato Aroeira. E difundida pelo jornalista Ricardo Noblat. O presidente ficou furibundo.

A pretexto de criticar uma notícia sobre a desavença —"Charge que relaciona Bolsonaro a nazismo é liberdade de expressão, dizem juristas"—, Carluxo acabou dando maior publicidade à peça que seu pai gostaria que não existisse. O Zero Dois, primeiro vereador federal da história, despachava nesta segunda-feira em Brasília, não na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

No pedido de investigação que encaminhou à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal, o ministro da Justiça sustenta que o caso envolve crime contra a segurança nacional e a ordem política e social. Daí o uso da lei de segurança nacional, herdada da ditadura.

No limite, Carluxo também deveria ser processado. Na prática, ele cometeu o mesmo "crime" atribuído a Noblat.

Supremo paradoxo: Mais cedo, também a Secretaria de Comunicação da Presidência publicou a charge nas redes sociais. Por sorte, a peça ainda não foi publicada por Flávio e Eduardo Bolsonaro. Do contrário, o ministro André Mendonça talvez tivesse de requerer o enquadramento dos Bolsonaro em dois crimes: formação de quadrilha e auto-desmoralização.

Josias de Souza