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No debate sobre Weintraub, Educação é asterisco

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

16/06/2020 11h38

O ministro Abraham Weintraub foi mantido pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito sobre fake news. E tornou-se uma condenação esperando na fila para acontecer. Formou-se na Corte uma sólida maioria a favor da imposição de um castigo judicial ao ministro da Educação por ter declarado que prenderia os "vagabundos" do Supremo se pudesse. Alertado, Bolsonaro passou a se referir a Weintraub como "um problema" que ele está tentando "solucionar".

Há um quê de inusitado no debate que envolve Weintraub. A discussão sobre a saída ou a permanência do personagem na Esplanada não tem nenhuma conexão com o seu desempenho precário à frente do Ministério da Educação. No comando da pasta, Weintraub exibiu duas características ruinosas. Nas questões ideológicas, revelou-se capaz de tudo. Nos temas educacionais, mostrou-se incapaz de todo.

A mistura dessas duas marcas —ideologia e inépcia— fez de Weintraub um dos piores ministros que o MEC já conheceu. Uma característica fundamental da dificuldade de julgamento do seu desempenho como ministro é ter que ouvi-lo durante mais de um ano para chegar à conclusão de que Weintraub não tem nada a dizer de aproveitável sobre Educação. Mas esse é um detalhe irrelevante na formação da decisão de Bolsonaro. A esse ponto chegamos: a Educação virou um asterisco.

Josias de Souza