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Supremo X Bolsonaro: quem sairá desmoralizado?

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

16/06/2020 20h16

Nas últimas semanas, tantas coisas aconteceram no circuito Supremo Tribunal Federal - Polícia Federal que a plateia vai ficando zonza. É preciso contextualizar. Há dois inquéritos rumorosos no Supremo: um sobre fake news, outro sobre manifestações antidemocráticas. Ambos têm o mesmo alvo: apoiadores de Jair Bolsonaro. Eles têm como relator o mesmo ministro: Alexandre de Moraes. Um dos lados sairá desmoralizado desses processos.

Se as apurações produzirem um pastel de vento, desmoraliza-se o Supremo. Se vierem à luz evidências de que o bolsonarismo praticou ilegalidades na internet e nas ruas, complicam-se os apoiadores do presidente e, no limite, o próprio Bolsonaro. O presidente está convencido que o objetivo dos inquéritos, que possuem vasos comunicantes, é o de produzir material a ser usado contra ele no Tribunal Superior Eleitoral, onde correm pedidos de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.

As batidas de busca e apreensão realizadas pela Polícia Federal nesta terça-feira referem-se ao inquérito sobre manifestações alegadamente antidemocráticas. Mas vários dos endereços varejados pela polícia pertencem a personagens que já tinham recebido a visita dos rapazes da PF dias atrás por conta do outro inquérito, que trata de notícias falsas. Houve também a quebra de sigilo bancário de parlamentares bolsonaristas. O que já havia ocorrido com empresários. Nos dois casos, tenta-se traçar o caminho do dinheiro. Aos poucos, as investigações passam por uma fusão informal.

A confusão que resulta da fusão entre os dois inquéritos convém ao Supremo. O inquérito das fake news, nascido de um canetaço de Dias Toffoli, que o plenário se esforça para ajeitar, vai se misturando com o inquérito sobre as manifestações, que veio à luz regularmente, a partir de uma requisição da Procuradoria-Geral da República. Resta saber o que vai surgir desse cruzamento, para definir lá no final quem se desmoralizará: o Supremo ou Bolsonaro?

Josias de Souza