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Bolsonaro homenageia um morto e ignora 50 mil

Jair Bolsonaro (sem partido) vai a funeral de paraquedista no Rio de Janeiro - Reprodução
Jair Bolsonaro (sem partido) vai a funeral de paraquedista no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

22/06/2020 06h36

Jair Bolsonaro mandou retirar o jato presidencial do hangar em pleno domingo. Voou de Brasília para o Rio de Janeiro. Num gesto de rara solidariedade, participou do funeral do soldado Pedro Lucas Ferreira Chaves, que morrera na véspera durante um treinamento de paraquedistas.

O presidente fez questão de discursar. Rendeu homenagens ao morto. Consolou os pais. Ficou demonstrado que Bolsonaro não ignora o valor da compaixão.

Quem ouviu Bolsonaro ficou se perguntando: por que diabos o capitão não estende aos 50 mil mortos do coronavírus e aos que sofrem com o infortúnio o tratamento que dispensou ao soldado e seus familiares?

Já está entendido que o presidente abriu mão de presidir a crise sanitária. Mas deveria pelo menos perceber o óbvio.

Submetidos às trapaças de um vírus letal, os brasileiros precisam de muita coisa, sobretudo de uma vacina. Como não dispõem de tudo, acabam precisando de muito pouco: só uns dos outros.

Josias de Souza