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PGR encosta bolsodireita na esquerda-mortadela

O presidente Jair Bolsonaro cavalga ao lado de policiais militares em meio à manifestação pró-governo em Brasília, em 31 de maio - Dida Sampaio/ Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro cavalga ao lado de policiais militares em meio à manifestação pró-governo em Brasília, em 31 de maio Imagem: Dida Sampaio/ Estadão Conteúdo
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

22/06/2020 19h11

A espontaneidade das manifestações de rua diminui na proporção direta do aumento do aparato de produção. Se confirmado, o uso de dinheiro público na organização e promoção de manifestações antidemocráticas do bolsonarismo reforçará a impressão de que, em política, nada se cria, nada se transforma, tudo se corrompe.

Durante anos, movimentos sociais como o MST e entidades como a CUT, braço e mão do PT nas arcas do Tesouro e do imposto sindical, patrocinaram atos de rua hipoteticamente espontâneos. Dizia-se à direita que a esquerda petista só conseguia encher o asfalto se oferecesse o sanduíche de mortadela.

Agora, vem à luz a suspeita de que o bumbo que promove a ida da infantaria da direita bolsonarista às ruas pode estar sendo financiado com verbas públicas dos gabinetes de deputados leais ao capitão.

Os deputados negam o desvio de verbas destinadas à divulgação dos seus mandatos para a promoção dos atos antidemocráticos. A Procuradoria-Geral da República diz ter colecionado evidências que indicam o contrário.

Há três coisas incômodas nesse episódio:

  1. Manifestação bancada pelo déficit público seria inaceitável.
  2. Deputados patrocinando atos ornamentados com faixas pró-intervenção militar seria intolerável.
  3. A equiparação da bolsodireita e da esquerda-mortadela na prática de jogar dinheiro alheio pela janela seria mais uma evidência de que gastar verba pública como se fosse dinheiro grátis é um hábito comum a todas as ideologias.

Josias de Souza