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Aras tornou-se minoritário no conselho do MPF

ADRIANO MACHADO
Imagem: ADRIANO MACHADO
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

01/07/2020 04h02

O Conselho Superior do Ministério Público Federal, órgão administrativo máximo da Procuradoria-Geral da República, concluiu nesta terça-feira a eleição interna iniciada na semana passada. O grupo do procurador-geral Augusto Aras tornou-se minoritário. Dos dez assentos disponíveis no colegiado, seis passaram a ser ocupados por personagens considerados adversários de Aras ou independentes.

Estavam em jogo quatro poltronas. Duas foram conquistadas na semana passada por subprocuradores que Aras enxerga como rivais: Mario Bonsaglia e Nicolao Dino. Nesta terça, foram a voto mais dois assentos. Um deles foi amealhado por José Bonifácio Borges de Andrada, um ex-aliado que virou desafeto de Aras. Fechada com o procurador-geral, a subprocuradora Maria Caetana Cintra Santos, que já integrava o conselho, foi reeleita.

Além de Mario Bonsaglia, Nicolao Dino e José Bonifácio, três subprocuradores já acomodados no conselho devem compor a ala de meia dúzia de contrapontos a Aras: Luiza Frischeisen, José Adonis Callou de Araújo Sá e José Elaeres Marques Teixeira.

Os quatro votos que passaram a compor a minoria pertencem ao próprio Aras, que preside o conselho na condição de procurador-geral; seu número 2, o vice-procurador Humberto Jacques de Medeiros; Maria Caetana Cintra, reeleita nesta terça; e o vice-procurador Alcides Martins.

O Conselho Superior não tem poderes para interferir na condução de investigações que estão sob a responsabilidade de Augusto Aras. Não pode reverter eventuais engavetamentos de processos ou reescrever petições encaminhadas por Aras ao Supremo. Mas o órgão pode atrapalhar planos administrativos do procurador-geral. Como o encerramento injustificado de uma força-tarefa, por exemplo.

A propósito, as operações Lava Jato e Greenfield encontram-se na alça de mira do gabinete do procurador-geral.

Josias de Souza