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Queiroz virou excelente opção para a Casa Civil

Fabrício Queiroz se assustou ao ser acordado com policiais arrombando a porta onde dormia - Reprodução
Fabrício Queiroz se assustou ao ser acordado com policiais arrombando a porta onde dormia Imagem: Reprodução
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

04/07/2020 05h22

As perguntas ecoam nos gabinetes do Planalto e nos cômodos da sede do governo paralelo, no estado americano da Virgínia. O que houve com o capitão? O que explica o seu súbito desinteresse pelo enfrentamento justamente no momento em que o bolsonarismo virótico mais esperava dele? O desânimo, o timbre chocho? A ponto de o Weintraub fugir às pressas para Miami, lamuriando-se: Meu Deus, escantearam até o Olavão!

O país nunca saberá o que realmente aconteceu depois que Fabrício Queiroz foi recolhido pela polícia do João Doria e entregue ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Que drama se desenrolou enquanto o faz-tudo dos Bolsonaro era conduzido para uma cela de Bangu 8?

Diz-se que Bolsonaro virou outra pessoa depois que conversou pelo telefone com Frederick Wassef, então advogado e personal ocultador dos Bolsonaro.

— O que houve com o Queiroz, Fred?

— Queiroz! Que Queiroz? A propósito, quem é Fred?

Quando os generais do Planalto ouviram Bolsonaro defendendo o amigo numa de suas lives —"Queiroz não estava foragido e não havia nenhum mandado de prisão contra ele"—, mandaram localizar o vice Mourão, para pedir-lhe que ficasse de prontidão. O capitão soava esquisito. "Parecia que estavam prendendo o maior bandido da Terra", ele dizia.

Súbito, escassearam as paradas no cercadinho do Alvorada. Os rompantes do tipo "acabou, porra" foram substituídos por afagos em Toffoli, Maia e Alcolumbre. "Esse entendimento, essa cooperação bem revela o momento que vivemos aqui no Brasil. [...] O nosso entendimento, sim, em um primeiro momento, é o que pode sinalizar que teremos dias melhores para o nosso país."

Com o passar dos dias, os generais palacianos começaram a olhar para a cela de Bangu 8 com um ponto de exclamação luzindo na retina. Amolecido pelo drama de Queiroz, Bolsonaro nomeou o conciliador Docatelli para a Educação. Eufóricos por prevalecer sobre a ala dos olavetes, os militares esqueceram de checar o currículo do ex-quase-futuro ministro.

Quando Maia e Alcolumbre começavam a se animar, Bolsonaro vetou a obrigatoriedade do uso de máscaras no comércio, na indústria e nas igrejas. O que fazer para evitar novas recaídas?

Embora o país não tenha certeza sobre o que aconteceu com Bolsonaro, imagina-se que, no fundo, no fundo, tudo tem a ver com o hóspede de Bangu 8. Os presidentes da Câmara e do Senado cogitam pedir ao centrão que exija a nomeação de Fabrício Queiroz para o posto de ministro-chefe da Casa Civil.

Preso, Queiroz obteve em poucos dias o que os generais palacianos, livres, não lograram alcançar em um ano e meio: a domesticação de Bolsonaro. Virou uma excelente opção para o posto de ministro-chefe da Casa Civil.

Josias de Souza