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Apagão ambiental custa caro à economia do país

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

11/07/2020 00h07

Desde que tomou posse, há um ano e meio, Jair Bolsonaro elegeu como inimigos do governo no setor ambiental as ONGs, os ambientalistas, os cientistas e a mídia comunista. Com o aval do presidente da República, o Ministério do Meio Ambiente descuidou do ambiente inteiro. O governo descobre agora, da pior maneira, que o inimigo é capitalista. O vice-presidente Hamilton Mourão passou dois dias coordenando reuniões com investidores estrangeiros e empresários brasileiros que avisam que a insanidade ambiental custa caro à economia brasileira.

Não é que os investidores estrangeiros não acreditam em nada do que o governo Bolsonaro fala sobre meio ambiente. O problema é que eles não acreditam em tudo. Os encontros organizados por Mourão colocam em em cena uma boa notícia e outra ruim. A boa é a disposição do governo para o diálogo. A ruim é a constatação de que o governo não tem muito a dizer. Fala em reduzir o desmatamento num instante em que os dados oficiais informam que o desmatamento em junho foi o maior em 5 anos, apesar de ação emergencial das Forças Armadas na Amazônia.

No ano passado, quando Noruega e Alemanha suspenderam doações para o Fundo Amazônia, maior projeto de cooperação internacional já concebido para preservar a floresta amazônica, Jair Bolsonaro disse coisas assim: "Podem fazer bom uso dessa grana, o Brasil não precisa disso". Agora, Mourão passa o chapéu tentando convencer noruegueses e alemães a restabelecer o fluxo das doações, que somaram em uma década R$ 3,4 bilhões.

Fundos de investimento estrangeiros que administram R$ 21 trilhões ameaçam dar as costas ao Brasil se não houver mudança na política ambiental. Empresários brasileiros pressionam o governo porque começam a sentir dificuldades para fechar negócios no exterior. Ou o governo muda ou o Brasil vai perder dinheiro. Parece simples, mas o governo continua sustentando que o problema é a orquestração ambiental. Não se enxerga nenhuma "orquestra" em cena. O que há é gente colocando a boca no trombone para realçar a maluquice de um governo que rasga dinheiro.

Josias de Souza