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Josias de Souza

Debate sobre vacina tem um excesso de tambor

coronavirus capa - Unsplash
coronavirus capa Imagem: Unsplash
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

22/07/2020 19h09

Otimista é quem acha que tem que haver uma vacina no final do túnel que o mundo atravessa. Pessimista é o que suspeita que a pandemia destruiu o túnel. Num ambiente assim, o melhor a fazer é fechar com o verso de Torquato Neto na canção Go Back: "Só quero saber do que pode dar certo."

Há uma corrida mundial pela vacina. Nessa disputa, há três competidores bem posicionados: a Universidade de Oxford, o laboratório chinês Sinovac e a farmacêutica americana Moderna. A Fiocruz, fundação do Ministério da Saúde, celebrou protocolo de intenções com o grupo de Oxford. Prevê a aquisição de insumos para produzir a vacina no Brasil.

O instituto Butantã, do governo de São Paulo, firmou acordo com o laboratório Sinovac, da China. Acaba de iniciar a fase de testes no Brasil.

De resto, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse ter iniciado negociação com a americana Moderna. Quer entrar na fila para a compra de vacinas.

A movimentação vai na direção correta. Não seria concebível que os gestores públicos brasileiros dessem as costas para as pesquisas. A Fiocruz e o Butantã são instituições respeitadas. Têm tradição na fabricação de vacinas. E serão beneficiários de transferência de tecnologia.

O que causa certo incômodo é o excesso de tambor. Há um descompasso entre o tom usado por infectologistas e autoridades. Os primeiros exaltam a rapidez inusual no desenvolvimento das vacinas contra o coronavírus. Mas realçam que é preciso ter cautela quanto aos prazos. A maioria avalia que, na melhor das hipóteses, a vacina estará disponível em meados do ano que vem.

Algumas autoridades passam a impressão de que o problema estará resolvido no final do ano. Supondo-se que a fabricação de algumas vacinas seja iniciada entre o Natal e o Ano Novo, o início da imunização em larga escala não será instantâneo.

Em momentos de desespero, as pessoas tendem a acreditar até em ovo sem casca. Mas convém ser otimista em relação à vacina sem esquecer o guarda-chuva. A tempestade não passou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Josias de Souza