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Josias de Souza

Em matéria de vacina, não basta largar na frente

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

11/08/2020 20h21

A escolha do nome da vacina da Rússia contra o coronavírus é sintomática: Sputnik V. É uma alusão ao satélite que os russos lançaram ao espaço em 1957, na época da Guerra Fria, quando a então União Soviética largou na frente na corrida tecnológica que travava com os Estados Unidos pela conquista do espaço. É como se Vladimir Putin enxergasse na pandemia uma oportunidade para reviver ilusões do passado.

O problema é que a Rússia participa da corrida pelo pioneirismo na criação da vacina percorrendo atalhos que não constam da rota científica que assegura a eficácia e a segurança do antídoto. Em matéria de vacina, não basta largar na frente, como tentam fazer os russos. É preciso exibir na linha de chegada um produto que seja reconhecidamente confiável.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Josias de Souza