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Esperteza de Salles vira um mico e come o dono

Ricardo Salles compartilha vídeo que usa mico-leão em fake news sobre queimadas na Amazônia - Reprodução
Ricardo Salles compartilha vídeo que usa mico-leão em fake news sobre queimadas na Amazônia Imagem: Reprodução
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

10/09/2020 20h29

Ao postar nas redes sociais um vídeo com imagens da Mata Atlântica para defender a lorota segundo a qual não há queimadas na Amazônia, o ministro Ricardo Salles confirmou um velho ensinamento de Tancredo Neves: "A esperteza, quando é muita, come o dono."

Além de Salles, também o vice-presidente Hamilton Mourão, que repostou o mesmo vídeo, foi mastigado por uma esperteza presumida. O mais triste é que Salles e Mourão são, hoje, as duas autoridades que deveriam resolver o problema do desmatamento e das queimadas.

Os dois podem encher as redes sociais de vídeos mentirosos. Talvez consigam confundir um pedaço da opinião pública com a lorota de que está tudo em ordem. Mas micos não modificam os fatos.

O meio ambiente tornou-se um assunto econômico. Nos últimos meses, acumulam-se sinais de que o descaso ambiental do Brasil pode resultar em prejuízos. A reprodução de micos nas redes sociais potencializa o risco.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL