PUBLICIDADE
Topo

SP e União tentam superar o vírus da politização

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

23/09/2020 19h35

Em matéria de vacina, fecho com o verso de Torquato Neto na canção Go Back: "Só quero saber do que pode dar certo." As expectativas dos brasileiros estão concentradas principalmente em duas parcerias. Numa, a Fiocruz, fundação do Ministério da Saúde, se entende com a vacina desenvolvida na universidade britânica de Oxford e o laboratório AstraZeneca. Noutra, o Butantã, instituto do governo de São Paulo, testa a vacina do laboratório chinês Sinovac. A novidade mais alvissareira dessas duas iniciativas é que os governos federal e paulista abriram um canal de negociação que pode resultar na vacinação de um número maior de pessoas.

Reuniram-se em Brasília o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, e o secretário de Saúde de São Paulo Jean Gorinchteyn. O governo paulista espera ter 60 milhões de doses da vacina até fevereiro. Se a parceria com Brasília prosperar, a União financiaria a fabricação de 40 milhões de doses, para distribuição em outros Estados, junto com a vacina que deve resultar dos estudos de Oxford. Na versão mais otimista, desse total de 100 milhões de doses, 76 milhões ficariam prontas ainda em 2020.

O governador João Doria chegou a anunciar nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, que o general Pazuello teria concordado em liberar uma primeira parcela de R$ 80 milhões para o Instituto Butantã. Mais cauteloso, o secretário Gorinchteyn disse na saída do Ministério da Saúde que o ministro Pazuello teria assumido o compromisso de abrir o cofre à medida que os estudos avancem. "Não há competição", disse o secretário. "Quanto mais vacinas, melhor."

Considerando-se que João Doria e Jair Bolsonaro não se suportam, a perspectiva de imunizar a produção de vacinas contra o vírus da politização é uma novidade incomum. Na contramão de São Tomé, quem vê toda essa movimentação descrê. Mas não custa torcer. A essa altura, numa eventual briga entre Doria e Bolsonaro em torno das vacinas, o brasileiro entraria com a cara. Ou, no limite, com a vida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL