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AGU virou uma tribo 92% composta de caciques

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Imagem: Divulgação
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

24/09/2020 05h25

A Advocacia-Geral da União pulverizou o artigo da Lei Complementar 173 que congelava os salários do funcionalismo até o final de 2021. Fez isso ao conceder promoções em massa aos advogados do seu quadro. Por antiguidade ou merecimento, foram guindados ao topo da carreira 606 advogados.

Com esse mimo coletivo, a corporação tornou-se uma tribo sui generis, 92% feita de caciques. Dos 3.738 advogados dos quadros da AGU, 3.489 atingiram o ápice da carreira, com contracheque mensal de R$ 27,3 mil.

Alega-se que está tudo dentro da lei. Subverte-se até o brocardo latino. Nada de dura lex, sed lex (a lei é dura, mas é a lei). Vigora o dura lex, sed látex (a lei é dura, mas estica). A AGU abriu uma porteira por onde passarão boiadas.

Em termos estritamente fiscais, o bonde da alegria da AGU é um despautério. Do ponto de vista administrativo, o excesso de pajés é um convite à acomodação. Sob a ótica dos brasileiros que pagam a conta é um tapa na cara.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL