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Josias de Souza

Novo ministro do Supremo será fiel a Bolsonaro?

Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

02/10/2020 19h52

A indicação de Kassio Nunes Marques para ocupar uma poltrona no Supremo Tribunal Federal envolve uma certeza sólida e uma dúvida incômoda. É certo que Jair Bolsonaro escolheu Kássio Nunes Marques porque espera contar com a sua fidelidade. Disso resulta a interrogação que incomoda: O substituto de Celso de Mello será fiel ao presidente e aos seus interesses pessoais e partidários ou terá uma atuação independente?

A história recente está apinhada de casos em que os indicados decepcionaram os presidentes que os indicaram. Quanto maior a decepção, mais próxima do interesse público fica a atuação do magistrado. Juntos, Lula e Dilma escolheram uma dezena de ministros nos 13 anos de poder petista. Lula acabou na cadeia. E Dilma sofreu impeachment num processo em que as regras foram avalizadas pela Suprema Corte.

Ministros como Joaquim Barbosa, Ayres Britto e Cezar Peluso, indicados por Lula, se portaram com extremo rigor no julgamento do mensalão, que enviou para a cadeia a fina flor do petismo e alguns de seus financiadores. Escolhidos por Dilma, ministros como Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux notabilizaram-se pelo apoio à Lava Jato. Nos julgamentos sobre prisão na segunda instância, votaram invariavelmente a favor da tranca, inclusive de Lula.

Há muitos processos e inquéritos em curso que interessam ao presidente, sua família e seus aliados do centrão. Ao explicar o processo que o conduziu à escolha de Kassio Marques, Bolsonaro declarou que, embora dispusesse de "alguns excelentes currículos", não colocaria uma pessoa no Supremo "só por causa do currículo". Valorizou o contato pessoal. Disse que o indicado tomou "muita tubaína" com ele. Kassio tem 48 anos. Aprovado no Senado, o doutor será indemissível pelos próximos 27 anos. Vai dignificar a magistratura ou será um ministro-tubaína? O novo ministro responderá a essa pergunta com os seus veredictos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL