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Em vez de lavar, vice-lider de Bolsonaro suja dinheiro no meio das nádegas

Leo Índio, primo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, e o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) - Reprodução/instagram
Leo Índio, primo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, e o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) Imagem: Reprodução/instagram
Josias de Souza

Josias de Souza é jornalista desde 1984. Nasceu na cidade de São Paulo, em 1961. Trabalhou por 25 anos na "Folha de S.Paulo" (repórter, diretor da Sucursal de Brasília, Secretário de Redação e articulista). É coautor do livro "A História Real" (Editora Ática, 1994), que revela bastidores da elaboração do Plano Real e da primeira eleição de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República. Em 2011, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo (Regional Sudeste) com a série de reportagens batizada de "Os Papéis Secretos do Exército".

Colunista do UOL

15/10/2020 05h21

É dura a vida dos devotos de Bolsonaro. Aplaudiram o presidente na frente do Alvorada quando ele disse que dará "uma voadora no pescoço" de quem for apanhado fora da linha no seu governo.

Horas depois, trombaram com a notícia de que o senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder de Bolsonaro no Senado, foi pilhado em Roraima numa batida da Polícia Federal escondendo dinheiro dentro da cueca, inclusive entre as nádegas.

O episódio desce à crônica do poder como mais uma evidência de que, em política, nada se cria, nada se transforma... Tudo se corrompe.

Na era Lula, o assessor de um deputado petista foi flagrado com dólares presos ao cós da cueca. Agora, numa fase em que proliferam os casos de lavagem de capitais, descobre-se que o vice-líder de Bolsonaro suja dinheiro no traseiro.

Ironicamente, Bolsonaro fizera menção à presença dos agentes federais no berço eleitoral do vice-líder. Apura-se a suspeita de desvio de verbas destinadas ao combate à pandemia. Coisa de R$ 20 milhões.

"Ah, acabou a Lava Jato, pessoal?", indagou o capitão. "A PF está lá em Roraima hoje. Para mim não tem. No meu governo, não tem porque botamos gente lá comprometida com a honestidade, com o futuro do Brasil."

O futuro prometido por Bolsonaro ainda não chegou. Mas as pessoas já conseguem enxergar o pretérito passando. Não será por falta de pescoço —ou de nádega— que o presidente deixará de distribuir suas prometidas "voadoras."

Para ser levado a sério, Bolsonaro teria de dar uma voadora no pescoço dos líderes do governo na Câmara e no Senado. Ricardo Barros e Fernando Bezerra são alvos da Lava Jato.

Mereceriam voadoras também pelo menos três ministros: o do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, réu num caso de desvio de verbas eleitorais; o do Meio Ambiente, Ricardo Salles, condenado por improbidade administrativa; e o da Cidadania, Onyx Lorenzoni, que pleiteia acordo com a Procuradoria depois de confessar ter feito caixa dois.

Bolsonaro precisaria distribuir voadoras também em casa. Dois de seus filhos, Flávio e Carlos, estão enrolados em casos de desvios de verbas públicas em gabinetes legislativos.

No limite, enquanto não explicar a origem dos R$ 89 mil que o casal Queiroz depositou na conta de sua mulher, Bolsonaro terá de se autogolpear com uma de suas voadoras.

Nos últimos dias, o presidente gastou baldes de saliva para alardear que não há corrupção à sua volta. E não somos nós que vamos discutir com um perito no assunto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL